OPINIÃO

Os 13 passos do clima


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Toda cidade precisa contar com uma Secretaria de Mudanças Climáticas ou por um Comitê intersecretarial que coloque no radar da Prefeitura a questão mais séria e mais grave já enfrentada. Todos perceberam que em 2025 houve uma série de eventos climáticos extremos. O Brasil registrou 10.408 ocorrências de alagamentos, enxurradas, inundações, chuvas intensas, tornados, vendavais, ciclones, granizo e movimento de terra. Computaram-se 1.124 óbitos e avalia-se um prejuízo superior a setenta bilhões de reais.

É bem óbvio que as vítimas preferenciais desses fenômenos são os mais vulneráveis. Habitações mal construídas em áreas geológica e hidrologicamente inapropriadas. As precipitações podem comprometer a infraestrutura para o fornecimento de água e saneamento. Rompem canos e adutoras. Arrebentam barragens e diques. Contaminam reservatórios com os detritos que tornam a água insuscetível de consumo.

Existe uma organização chamada Saneamento e Água para todos, em parceria com a Unicef, cujo CEO, Muyatwa Sitali, indica treze caminhos para reduzir as desigualdades e melhorar a condição de vida da população. Todos são chamados a colaborar para detectar os maiores problemas de cada município e enfrentá-los de maneira competente. Envolver as comunidades na discussão é fundamental. Mesmo porque, se a população não toma conhecimento e continua com práticas antiambientalistas, estará frustrada a atuação governamental.

As treze propostas foram adotadas pelo Instituto Água e Saneamento – IAS e podem ser replicadas em qualquer cidade brasileira. São elas: 1. Foco. Estabelecer metas governamentais para a infraestrutura de água e saneamento. 2. Parceria: criar mecanismos de colaboração entre países, para que haja troca de experiência, informações e tecnologias. Aqui já cabe um parêntese: importar a solução “cidade-esponja”, da China, desenvolvida pelo arquiteto e urbanista Kongjian Yu, infelizmente falecido em setembro, quando visitava o Pantanal, mas cujo legado é suscetível de ser inteiramente aproveitado; 3. Verba. Direcionar constantemente recursos financeiros para o tema, por parte de governos, ONGs e instituições financeiras; 4. Organização: ter um planejamento constante, com coleta de dados e monitoramento; 5. Reúso. Reutilizar água devidamente tratada para fins agrícolas e, se rigorosamente testada, para uso doméstico; 6. Inovação: utilizar soluções baseadas na natureza, como a já mencionada “cidade-esponja”, criação de parques e áreas verdes alagáveis e outras, que envolvam conviver com a água e permitir que ela seja absorvida pelo solo; 7. Prevenção. Criar sistemas de alertas para caso de desastre; 8. Edificação: criar moradias resilientes, como as casas flutuantes adotadas nos Países Baixos; 9. Diversificação: adotar soluções híbridas, que são ao mesmo tempo baseadas na natureza e na construção de infraestrutura, como sistemas urbanos de drenagem sustentável, nos quais o controle do escoamento superficial da água é o mais próximo possível do local da precipitação; 10. Construção: construir diques, barragens, canais e portões de controle, com manutenção frequente; 11. Igualdade: garantir a participação de mulheres e de outros grupos minoritários nos debates; 12. Desigualdade: pensar em projetos específicos para reduzir desigualdade no acesso à água, com monitoramento dos recursos financeiros para saber se vão para quem mais precisa; 13. Exemplo: aprender com as comunidades. Como elas lidam com o problema, para dar maior escala às soluções e fazer adaptações quando necessário.

A estas propostas outras podem ser acrescentadas e dialogar com municípios que têm soluções exitosas e práticas que podem ajudar a cidade a cuidar melhor de sua gente, diante do desafio enorme das emergências climáticas.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo. 

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