Campinas registrou queda de 20,4% nas gestações entre meninas de 10 a 19 anos nos últimos quatro anos. Os casos passaram de 985 em 2021 para 784 em 2025, segundo dados do Programa Municipal de Planejamento Reprodutivo. A redução serve de base para novas ações de orientação nas escolas da rede municipal.
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Para reforçar a prevenção, a Secretaria de Educação firmou parceria com a Secretaria de Saúde e passou a disponibilizar três vídeos educativos às unidades que atendem turmas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O material aborda métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS Municipal, além de alertar sobre riscos da gravidez precoce para adolescentes e bebês.
Também foram liberados conteúdos produzidos pela EducaTV, que podem ser compartilhados com estudantes e responsáveis. Professores receberam orientação para ampliar o debate em sala sobre desenvolvimento biológico, autocuidado, respeito, enfrentamento à violência contra as mulheres e planejamento familiar.
Segundo a secretária de Educação, Patrícia Adolf Lutz, o objetivo é fortalecer o acesso à informação. “Queremos que a maternidade e a paternidade sejam escolhas feitas com responsabilidade, e não um momento que pode representar interrupção de estudos e dificuldades no mercado de trabalho”, afirmou.
Riscos clínicos e sociais
De acordo com a coordenadora da área da Saúde da Mulher, médica Miriam Nóbrega, a gestação na adolescência envolve riscos médicos e impactos sociais. “Do ponto de vista clínico, as gestações na adolescência apresentam maior risco de complicações, como prematuridade, pré-eclâmpsia e questões de saúde mental. Mas há também consequências sociais, como interrupção dos estudos, menor qualificação profissional e perpetuação da pobreza”, explicou.
Entre as complicações maternas estão anemia, hipertensão gestacional, diabetes e parto prematuro. Para o bebê, os riscos incluem baixo peso ao nascer, malformações, macrossomia e sofrimento fetal.
Métodos contraceptivos disponíveis
Os Centros de Saúde oferecem diferentes opções de contracepção, como implante subdérmico (Implanon), DIU de cobre, DIU hormonal (Mirena), preservativos, anticoncepcionais orais e injetáveis. As unidades também mantêm grupos de planejamento familiar, que orientam adolescentes e mulheres sobre a escolha do método mais adequado.
A estratégia integra ações permanentes do município para manter a tendência de redução dos indicadores e ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde.