Moradores de cidades da Região Metropolitana de Jundiaí relatam novos casos de suspeita de envenenamento de animais domésticos, mesmo sem registros oficiais confirmados pelas prefeituras neste início de 2026. Em Várzea Paulista, um gato precisou ser internado em estado grave nesta semana. Em Jundiaí, bairros como Medeiros e Sarapiranga já haviam sido alertados em janeiro após atendimentos veterinários com sintomas compatíveis com intoxicação.
Segundo o boletim de ocorrência, registrado em 10 de fevereiro, um gato foi encontrado pelo tutor com sinais graves de comprometimento clínico na residência da família, localizada no Jardim Paulista, em Várzea Paulista. O animal foi encaminhado ao veterinário, mas segue sob cuidados.
“Meu pai chegou em casa e encontrou o Foguete com dificuldade respiratória, prostração intensa, pupilas dilatadas e salivação excessiva”, contou a filha do tutor, Evelyn Ferreira.
Em janeiro deste ano, moradores dos bairros Medeiros e Sarapiranga, em Jundiaí, também foram alertados sobre casos de envenenamento de animais domésticos. O aviso partiu de profissionais de uma clínica veterinária que atenderam ocorrências graves em curto intervalo de tempo.
Procurada, a Prefeitura de Jundiaí informou, por meio da Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente e do Departamento de Bem-Estar Animal (Debea), em 2026, até o momento, não houve registro de entrada de animais com quadro confirmado de envenenamento. Já em 2025 foram registrados aproximadamente 10 atendimentos de cães e gatos com suspeita de envenenamento na rede municipal. A orientação é que os casos sejam formalmente comunicados por meio de Boletim de Ocorrência (BO), para que haja investigação.
Já o Centro de Bem-Estar Animal de Várzea Paulista informou que não há casos registrados de envenenamento no município nos anos de 2025 e 2026. A recomendação é que denúncias sejam feitas à Ouvidoria Municipal, pelo telefone (11) 4595-0037 ou pelo e-mail ouvidoria@varzeapaulista.sp.gov.br. Em Jarinu, a prefeitura informou que houve um caso registrado em 2025 e, neste ano, ainda não há registros.
Ação rápida
A veterinária Beatriz Preti explica que os sintomas do envenenamento variam de acordo com a substância e o tempo de exposição, mas geralmente surgem de forma súbita. “Entre os sinais mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia, salivação excessiva, tremores, fraqueza, desorientação, perda de consciência, crises convulsivas e dificuldade respiratória”, diz.

Beatriz Preti garante que a agilidade é fundamental para salvar animais de envenenamento
Segundo a veterinária, agir rapidamente é fundamental. “O tempo é um fator decisivo. Quanto mais rápido o atendimento, maiores são as chances de evitar a absorção do tóxico e reduzir os danos. Em alguns casos, minutos são decisivos.”
A primeira medida é interromper imediatamente a exposição, se possível, e procurar atendimento veterinário de urgência, informando a suspeita de intoxicação. Caso se saiba qual substância foi ingerida, a orientação é levar a embalagem ou qualquer informação que ajude na identificação.
O tratamento depende do agente causador e da gravidade do quadro. Pode envolver estabilização do paciente, medidas para impedir a absorção da substância, uso de antídotos específicos e terapia de suporte, além do controle de sintomas neurológicos, respiratórios e gastrointestinais. “Em diversos casos, há possibilidade de reversão do quadro com atendimento precoce e tratamento adequado. Porém, exposições prolongadas ou substâncias altamente tóxicas podem causar lesões irreversíveis ou até levar ao óbito”, alerta Beatriz.