O sucesso da indústria brasileira depende, cada vez mais, do equilíbrio entre uma infraestrutura moderna e a alta densidade tecnológica do seu capital humano. Para o setor produtivo, a integração estratégica entre as lideranças industriais e as redes de ensino tornou-se um pilar fundamental para responder ao desafio da qualificação profissional que o país enfrenta. Ao introduzir robôs humanoides de última geração, como o Unitree G1, na proposta pedagógica, o Sesi-SP não está apenas investindo em ferramentas, mas pavimentando um caminho para que o Brasil avance na trilha da inovação. Neste ecossistema, o trabalho conjunto garante que o futuro da produção passe por mãos brasileiras capacitadas para dominar a programação e a lógica da automação. Essa iniciativa reflete a urgência de uma mudança estrutural na pedagogia industrial, conectando o currículo escolar diretamente às demandas das fábricas inteligentes, promovendo uma imersão técnica sem precedentes.
Essa evolução é compreendida ao observarmos a trajetória da robótica mundial. O que antes eram braços mecânicos estáticos e isolados em células de segurança evoluiu para sistemas autônomos e colaborativos. A chegada dos humanoides representa um salto onde a visão computacional e o sistema operacional ROS (Robot Operating System) tornam-se competências valiosas. Ao simular esse ambiente de Indústria 4.0 para estudantes, o Sesi-SP ajuda a reduzir a distância entre a teoria e a prática fabril. Para a Fiesp e o Ciesp, essa formação é essencial para que as empresas mantenham sua competitividade em um mercado globalizado. Dominar tais tecnologias significa preparar o jovem para gerir sistemas que operam com redes 5G e alta conectividade local, garantindo eficiência e precisão técnica em tempo real.
As entidades que representam a indústria brasileira reafirmam, com essa iniciativa, o compromisso com uma educação disruptiva e inovadora, aproximando os estudantes das tecnologias emergentes que hoje moldam a indústria global. A introdução dos robôs humanoides permitirá que os alunos aprendam, na prática, a lidar com a automação de tarefas industriais, a manipulação de objetos e processos de precisão, a navegação autônoma e as aplicações com Inteligência Artificial. Esses laboratórios avançados servem como incubadoras de talentos, onde o erro é parte do aprendizado controlado e a experimentação leva ao domínio completo de algoritmos complexos de redes neurais, preparando o terreno para a soberania técnica nacional.
Mais do que montar máquinas, os jovens serão capacitados em competências que permitem que o humanoide interaja com o ambiente de forma inteligente e segura, replicando os desafios reais encontrados nas plantas industriais mais modernas do mundo. A interação entre máquinas e humanos exige uma compreensão profunda de ética robótica, segurança do trabalho e cibersegurança, temas que agora fazem parte da rotina escolar, elevando o padrão de ensino brasileiro ao nível das maiores potências tecnológicas do planeta.
O cenário exige atenção aos dados. Segundo o Mapa do Trabalho Industrial elaborado pelo Sistema Indústria (CNI, Sesi, Senai e IEL), o Brasil precisará qualificar cerca de 14 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos próximos anos para acompanhar as mudanças tecnológicas e as reposições do mercado. Somente para suprir novas vagas e a rotatividade básica, a demanda supera os 2 milhões de profissionais qualificados. Somado a isso, dados recentes da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais) apontam para um déficit histórico de centenas de milhares de talentos na área de tecnologia da informação e comunicação. Para o setor produtivo nacional, a escassez de mão de obra qualificada é um gargalo que limita a produtividade e a expansão de novos negócios, justificando por que o Senai-SP e o Sesi-SP priorizam currículos voltados à tecnologia de ponta e à formação profissional de alto nível necessária. Esses números alarmantes reforçam que a educação não pode mais ser reativa, mas sim antecipatória às ondas de ruptura, criando uma base sólida para o desenvolvimento.
Por isso, a presença desses robôs em iniciativas anunciadas neste início de fevereiro e a itinerância tecnológica nas escolas do Sesi-SP é um investimento direto no trabalhador para evitar a obsolescência profissional diante da velocidade das transformações digitais atuais. Em última análise, o objetivo central permanece sendo o ser humano. O robô é o instrumento pedagógico para formar um profissional crítico, criativo e tecnicamente preparado para as incertezas do mercado. Ao unir a visão estratégica da Fiesp e do Ciesp à excelência educacional do Sesi-SP e do Senai-SP, a indústria paulista trabalha incansavelmente para que o país deixe de ser um mero espectador e se consolide como um protagonista ativo da revolução tecnológica global, transformando o conhecimento em riqueza, soberania e pleno desenvolvimento social para todos os cidadãos brasileiros. O compromisso firmado hoje com a tecnologia de ponta é a garantia de que as próximas gerações terão as ferramentas necessárias para construir uma nação próspera, justa e tecnologicamente independente no cenário internacional moderno, assegurando um futuro de liderança e inovação contínua para o Brasil.
FRANCESCONI JÚNIOR é 1º vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp