OPINIÃO

A Indústria como alicerce da empregabilidade


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Em meio aos debates sobre produtividade e competitividade, um fato permanece inquestionável: a indústria não é apenas um setor da economia; ela é o motor que impulsiona a justiça social por meio do trabalho. O Brasil atravessa um momento decisivo de redefinição de sua matriz econômica e, conforme indicam os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no fechamento de 2025, o mercado de trabalho industrial demonstrou uma resiliência notável, mantendo o rendimento médio e a massa salarial em patamares superiores à média nacional, mesmo diante de políticas monetárias restritivas. Atualmente, o setor industrial sustenta um estoque de mais de 8,5 milhões de pessoas ocupadas, consolidando-se como um dos pilares que gera não apenas volume, mas, fundamentalmente, as melhores oportunidades de carreira.

?A relevância da indústria é fundamental e vai muito além do contracheque. Segundo o "Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027", elaborado pelo Senai, o Brasil enfrenta um desafio estrutural: a necessidade de qualificar cerca de 14 milhões de profissionais em ocupações industriais até 2027 para suprir a demanda por inovação e reposição de talentos. Isso cria um círculo virtuoso onde a indústria exige maior escolaridade e capacitação técnica, resultando em maior estabilidade e trajetórias de carreira mais sólidas. Além disso, o setor lidera os índices de formalidade, garantindo acesso pleno a direitos previdenciários, e concentra o maior investimento privado em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

Cada vaga criada no chão de fábrica reverbera em toda a cadeia produtiva de forma estratégica. Estimativas atualizadas reforçam que, para cada real produzido na indústria de transformação, o impacto na economia global é de aproximadamente R$ 2,43, um multiplicador que supera significativamente os setores primários e de serviços básicos. No emprego, a lógica é similar: um posto industrial especializado sustenta diversos empregos indiretos em logística, manutenção e serviços de tecnologia. Investir na indústria é, portanto, investir na classe média. Sem um setor forte, o país corre o risco de uma terceirização precoce com baixos salários, limitando o crescimento sustentável.

Apesar do otimismo com a queda histórica do desemprego geral em 2025, o "Custo Brasil" e as taxas de juros reais que inibem a oferta ainda são gargalos preponderantes. Precisamos de políticas que incentivem a neoindustrialização, focada em sustentabilidade e na Indústria 4.0, para que a produtividade brasileira volte a crescer de forma competitiva. Como vice-presidente do Ciesp, reitero nosso compromisso em lutar por um ambiente de negócios que permita às empresas crescerem e serem o porto seguro do trabalhador. O futuro do Brasil passa, obrigatoriamente, pelas mãos de quem transforma matéria-prima em progresso e dignidade.

Francesconi Júnior - 1? vice-presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) 

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