Praticar ou não atividade física é um debate antigo no campo da saúde. De um lado, profissionais alertam sobre os riscos do sedentarismo; do outro, a preguiça, a falta de tempo e de dinheiro acabam falando mais alto na cabeça de muitos brasileiros. Atualmente, apesar do discurso cada vez mais presente sobre saúde e bem-estar, os números no Brasil seguem em alerta. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da World Obesity Federation, 68% dos adultos brasileiros apresentam excesso de peso — sendo 31% com obesidade e 37% com sobrepeso. A projeção é que o país ultrapasse 115 milhões de pessoas acima do peso até 2030.
Mesmo assim, dados do DataFolha, que entrevistou mais de duas mil pessoas em todas as regiões do país, mostram que 53% dos brasileiros costumam praticar exercícios físicos no dia a dia. As atividades mais mencionadas foram caminhada (25%), musculação (13%), futebol (7%), bicicleta (6%) e corrida (6%), entre outras menos praticadas.
A pesquisa do DataFolha traz uma perspectiva interessante: quatro das cinco modalidades mais citadas são praticadas predominantemente ao ar livre, o que demonstra uma referência por exercícios que, para além da melhora corporal, trabalhem o contato com a natureza e o bem-estar da mente.
NA REGIÃO
A cidade de Jundiaí conta, atualmente, com 17 academias ao ar livre nos bairros, 20 Complexos Educacionais, Culturais e Esportivos (CECEs), mais de 20 km de pistas pavimentadas e áreas dedicadas para caminhada e corrida e cerca de 19,72 km de infraestrutura cicloviária, incluindo ciclovias e ciclofaixas, espalhadas por diversos espaços públicos. A Serra do Japi, o Jardim Botânico, o Parque Engordadouro, o Parque Botânico Tulipas e o Parque da Cidade são apenas algumas das alternativas disponíveis para quem deseja iniciar uma atividade ao ar livre.
O Parque da Cidade, por exemplo, oferece 500 mil metros quadrados de lazer e recreação, com áreas para piquenique, caminhadas e atividades esportivas. Inaugurado em 2004 pela DAE Jundiaí, é uma das atrações preferidas de moradores e turistas, mas também oferece um ambiente propício para a prática de atividade física ao ar livre.

Marcus Speratti (42), assessor e professor do parque, comanda um projeto que procura oferecer bem-estar e qualidade de vida para a população jundiaiense. O projeto “Parque Saudável”, que completou um ano no mês de janeiro, fornece aulas de alongamento e ginástica para trabalhar aspectos que as pessoas utilizam no dia a dia, como mobilidade, força, resistência e agilidade. Os encontros acontecem todas às terças e quintas-feiras, no Jardim Japonês, na parte da manhã, às 7h, 8h e 9h, e na parte da tarde, às 13h, 14h e 15h.
De acordo com o professor, que já possui uma turma com quase 200 alunos inscritos, as pessoas são atraídas pelo próprio local. “O parque é um local propício para atividade física, a pessoa se conecta com a natureza e com ela mesma. É um momento para sair do trabalho, da correria, do dia a dia e se encontrar com pessoas, bater um papo”, explica.

As alunas de Marcus, Roseli (64) e Silvana (62), ambas aposentadas, concordam com o professor e acompanham a turma desde a primeira aula. “É algo que a gente já procurava através dos centros esportivos, mas as vagas são limitadas. [...] Aqui, foi uma oportunidade muito boa e sinto o ganho de força e resistência. Além disso, tem a socialização também, que é ótima.”, ressalta Roseli.
“São coisas que beneficiam tudo, a mente, saúde mental, saúde física. É algo muito importante. E esse tipo de atividade proporciona as duas.”, Roselli justifica. As amigas fazem musculação também, mas para elas, os momentos ao ar livre são gratificantes. “Ao ar livre, você está respirando ar puro, olhando essa paisagem maravilhosa do parque. Não tem como comparar.”, conclui Silvana.
Mas elas não são as únicas que sentiram os benefícios das atividades físicas ao ar livre. Cícero (74), aposentado, explica que, mesmo tendo começado a apenas um mês com as caminhadas, já consegue enxergar progresso. “Quanto mais você faz exercício, mais vai melhorando. Quando eu comecei, não conseguia subir direito as rampas do parque; agora, já tenho mais facilidade”, comenta.
Para ele, o início foi por interesse — gostava de caminhadas e estava se sentindo muito sedentário, então partiu para a atividade física. Aline (39), por outro lado, precisou adotar um estilo de vida mais saudável para cuidar do corpo.
Agora como dona de casa, Aline explica que já atuou como professora de educação infantil e ouviu do médico que, se não começasse a se exercitar, os problemas seriam ainda piores na velhice. “A profissão deixa a gente com muitas sequelas que, se não cuidar, trava. Tenho um monte de problema articular, de joelho, no quadril, no tornozelo. [...] Achei melhor fazer agora, começar mais cedo, do que deixar para depois.”, afirma.
Aline também faz musculação, mas, para ela, as caminhadas, para além de um complemento, são um momento conexão. “O ideal é fazer um treino de resistência e um cardio. Só que eu não gosto de esteira, de ambiente fechado, então prefiro fazer ao ar livre. [...] A gente vê o sol, vê os pássaros, a natureza. Tanto que eu gosto de caminhar sem fone para estar mesmo dentro do ambiente. Não venho aqui só para fazer o cardio, mas porque me deixa mais relaxada, eu começo o dia melhor.”, expõe.
CUIDADOS
Apesar dos benefícios à saúde, a prática de atividade ao ar livre, como todo exercício, precisa de suas precauções. Para desenvolvimento muscular ou perda de gordura, por exemplo, é possível realizar treinos fora da academia, mas o ideal é consultar profissionais da área de educação física para garantir que o treino seja seguro e eficiente.
“Por conta da internet e das redes sociais, há muita desinformação circulando, de pessoas que nem são profissionais formados. As pessoas pegam treinos que não tem eficácia, o que pode gerar frustração com os resultados ou até lesão. Por isso, é preciso fazer acompanhamento com um profissional.”, explica Gustavo (22), estudante de educação física.
Para ele, as pessoas podem optar pelos treinos ao ar livre por serem formas mais acessíveis e leves de praticar atividade física, já que podem ser feitos com alguém do lado. Porém, não deixa de ser uma alternativa eficiente. A esposa de Gustavo, Isabelly, detesta musculação, mas adora dançar. Para que ela pudesse se manter ativa, o estudante montou um treino funcional que ela realiza todos os dias, na própria casa, combinando a dança com séries de exercícios de intensidade.
Entretanto, Gustavo reforça a importância de tomar cuidado ao se movimentar fora de casa. “Além do acompanhamento profissional, é imprescindível carregar protetor solar e garrafa de água, e utilizar roupas próprias, que sejam leves, e tênis esportivo”, enfatiza.
Marcus, o professor do Parque da Cidade, também alerta: “Faça acompanhamento médico e realize exames para ter certeza de que você está apto a praticar o exercício que deseja. Diga que você quer sair da vida sedentária e garanta que é seguro para você”.
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Gisele Cristina de Oliveira 23 horas atrásAchei ótima a reportagem com dicas e detalhes super importantes.