A jundiaiense Eduarda Westemaier Ribera, de 21 anos, foi convocada para integrar a delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, na Itália, e volta a representar o Brasil no maior evento esportivo do mundo. Atleta do esqui cross-country, ela será a representante de Jundiaí na competição e disputará sua segunda edição olímpica, consolidando uma trajetória construída no esporte desde 2015.
A convocação marca mais um capítulo de uma história que começou ainda na adolescência, movida por laços familiares e por um encontro casual com a modalidade. Influenciada pelo irmão Cristian Ribera, atleta com deficiência e referência no ski cross-country adaptado, Eduarda teve o primeiro contato com o esporte em uma vivência de um projeto social em Jundiaí e a experiência foi decisiva. “Quando eu vi o esporte, a gente se apaixonou de primeira. Eu acompanhei os treinos, fiquei interessada, até que um treinador me deixou treinar um dia. Foi a melhor vivência da minha vida”, relembra.
Sem neve no Brasil, a formação esportiva foi construída no asfalto, mais precisamente nas ruas do Distrito Industrial, em Jundiaí, com o roller-ski, equipamento que simula o esqui cross-country. A rotina de treinos se divide entre Jundiaí e São Paulo, com sessões diárias na rua, além de preparação física em academia. “A gente treina roller todos os dias da semana. Descansa só no domingo. É treino na rua mesmo, no asfalto, com foco em rendimento e evolução”, conta.
Os desafios fazem parte do processo: trânsito, falta de respeito no espaço urbano, calor intenso e, depois, a adaptação à altitude e ao frio quando chega à Europa. “O maior risco é o carro, a falta de respeito com os atletas na rua. Depois, quando a gente chega na Europa, tem a adaptação à altitude e à respiração. Mas em cerca de uma semana já dá para se adaptar bem na neve”, explica.
A trajetória internacional começou cedo. Com poucos meses de treino, Eduarda já fez a primeira viagem para competir na neve, na Argentina. Vieram, depois, experiências marcantes como os Jogos Olímpicos da Juventude de 2020, em Lausanne, e o Mundial de Ski Cross Country, em Trondheim, na Noruega, etapas fundamentais para sua consolidação na modalidade.
Milão-Cortina 2026 será sua segunda participação olímpica. A primeira ocorreu em Pequim 2022, quando foi convocada às pressas, menos de duas semanas antes da competição, para substituir a atleta Bruna Moura, que sofreu um acidente de carro. Agora, o cenário é diferente: há um ciclo completo de preparação, planejamento e maturidade esportiva.
Sem projetar metas de pódio, a atleta foca no desempenho e no crescimento pessoal. “Eu não estou com expectativas de resultado, mas de melhora. Estou melhor mentalmente do que em 2022. Quero dar tudo de mim desde que eu chegar lá. Representar o Brasil mais uma vez já é uma conquista enorme”, afirma. Eduarda também projeta o futuro: “Espero competir em 2030, na França, com objetivos maiores e mais tranquila, mais madura no esporte”.
A participação em Milão-Cortina terá ainda um componente emocional: a presença da família nas arquibancadas. “Minha mãe, meu pai e meus irmãos vão estar lá me assistindo. Isso vai me ajudar muito a me sentir bem e dar o meu melhor”, diz.
DELEGAÇÃO BRASILEIRA
A convocação de Eduarda ocorre em um momento histórico para o esporte brasileiro. O Brasil garantiu sua maior delegação da história nos Jogos Olímpicos de Inverno, com 14 atletas e um reserva, em cinco modalidades diferentes, um recorde desde a estreia do país no evento. Será a décima participação consecutiva do Time Brasil na competição.