POLÍTICA

Filhos de Bolsonaro tentam impulsionar caminhada de Nikolas

Por Laura Scofield | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Instagram/@nikolasferreiradm
Caminhada do deputado Nikolas Ferreira, que planeja ir do interior de Minas até Brasília
Caminhada do deputado Nikolas Ferreira, que planeja ir do interior de Minas até Brasília

Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se mobilizaram para declarar apoio à caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que saiu na última segunda-feira (19) da cidade de Paracatu, em Minas Gerais, em direção a Brasília.

Nikolas anunciou que vai caminhar por cerca de 240 km em protesto contra as condenações pela tentativa de golpe de Estado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A expectativa é que o grupo chegue a Brasília no domingo (25).

O atual pré-candidato à Presidência do grupo, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não compareceu em função de uma viagem marcada para Israel, mas se manifestou por meio de uma ligação para Nikolas e os deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e André Ferreira (PL-CE), que acompanham a caminhada.

"Parabéns a você pela iniciativa", disse o senador. Segundo Flávio, "não é um movimento de confronto, mas de esperança".

O pré-candidato não citou o STF durante o vídeo, o que dialoga com a postura recente de Michelle Bolsonaro (PL). A ex-primeira-dama reuniu-se com o ministro Alexandre de Moraes para pedir melhores condições para o marido, preso por tentativa de golpe de Estado. Após a conversa, Bolsonaro foi transferido na semana passada para a unidade conhecida como Papudinha.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também se manifestou por vídeo. "É uma boa resposta para dizer que ninguém está virando as costas para os presos políticos", disse o ex-parlamentar, que está nos Estados Unidos desde o ano passado e por isso perdeu o mandato.

No ano passado, Nikolas e o clã Bolsonaro tiveram episódios de tensão e discussões públicas. Eduardo avaliava que o deputado não estaria se posicionando a contento em defesa do trabalho que ele fazia por sanções a Moraes nos Estados Unidos. Eduardo criticou o parlamentar publicamente e os dois fizeram as pazes depois.

Eduardo é réu acusado de coação no curso do processo que investigou o golpe de Estado, por ter articulado sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras para tentar influenciar o julgamento de seu pai.

Pré-candidato ao Senado em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL-SC) juntou-se pessoalmente ao movimento na terça-feira (20) representando o clã, após pedidos de Eduardo e Flávio Bolsonaro.

"Essa consideração que ele [Nikolas] está tendo não só conosco mas com os presos políticos do 8 de Janeiro demonstrou uma maturidade gigantesca a dar mais um pontapé numa nova batalha", afirmou o segundo filho do ex-presidente.

O vídeo com a justificativa de Carlos foi republicado nas redes do PL Nacional, que está acompanhando e divulgando a manifestação.

Para o deputado federal Carlos Jordy (PL-SP), vice-líder da Minoria na Câmara dos Deputados, o apoio do clã Bolsonaro "é muito simbólico" e demonstraria que o grupo está no caminho certo. "Tudo isso só está acontecendo por conta do presidente Bolsonaro, porque foi ele que deu início a todo esse movimento da direita no nosso país." Ele também se juntou à caminhada na tarde de terça-feira.

A deputada Bia Kicis (PL-DF) disse à reportagem que vai se reunir ao movimento. "O povo estava cobrando algo assim dos parlamentares", afirmou.

O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, disse que "toda manifestação individual ou coletiva para demonstrar as fragilidades da democracia relativa são válidas".

Já o deputado Rogério Correia (PT-MG) definiu o protesto como "a caminhada da mentira e do golpe". "É a tese do golpe continuada, é sempre criar algum clima para inverter as decisões democráticas, inclusive da Justiça brasileira, achando que com isso vai colocar Bolsonaro em liberdade".

A também deputada mineira Dandara Tonantzin (PT-MG) afirmou que "o Brasil tem pautas mais urgentes do que essa cortina de fumaça", como "enfrentar o custo de vida e o fim da escala 6x1".

Em carta que justifica a caminhada, Nikolas fala em "desumanização dos brasileiros presos após o dia 8" e "perseguição sistemática a opositores políticos, entre eles Jair Bolsonaro".

Ele também não cita o STF diretamente, apesar de apontar ações ligadas ao tribunal. O deputado aponta a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, que previa a redução de penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, como uma das demandas do movimento.

No ano passado, o projeto foi aprovado pelo Congresso apesar da defesa de uma anistia total pelos bolsonaristas. No início de janeiro, Lula vetou integralmente a proposta. O veto deverá ser analisado pelo Congresso Nacional, que está em recesso até o dia 2 de fevereiro.

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