CONSCIENTIZAÇÃO

Jundiaí intensifica ações antirracistas em festas e eventos

Por Felipe Torezim |
| Tempo de leitura: 2 min
Samuel Silva/JJ
Palcos da Festa da Uva passam a mensagem de conscientização para o público a todo momento
Palcos da Festa da Uva passam a mensagem de conscientização para o público a todo momento

Além de ser um ambiente para diversão e descontração, a 41ª Festa da Uva e 12ª Expo Vinhos de Jundiaí também é um espaço para conscientização. Desde o dia da abertura, os visitantes mais atentos notaram que a todo momento os palcos espalhados pelo Parque da Uva exibiam mensagens antirracistas. Segundo a Prefeitura de Jundiaí, a ideia foi aproveitar a relevância e o alcance do evento para reafirmar o compromisso contra o racismo e a promoção da igualdade racial, conscientizar o público, orientar servidores e garantir um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor durante o evento.

Segundo dados do Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em 2025, Jundiaí registrou 12 denúncias envolvendo racismo e injúria racial que resultaram em 20 violações de direitos humanos. Já em 2026, até o dia 8 de janeiro, última atualização do sistema, foi contabilizada uma denúncia e duas violações relacionadas à injúria racial.

Em 2023, Jundiaí assinou o protocolo de intenções para a adesão ao Pacto Coletivo por Cidades Antirracistas, iniciativa do Ministério Público do Estado de São Paulo. Desde então, tem desenvolvido uma série de atividades relacionadas. A Prefeitura informou que, em 2026, em parceria com o Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (CMPDCN), foi realizada uma formação em letramento racial para servidores. O município ainda desenvolve ações permanentes de promoção da igualdade racial, por meio de atividades educativas, capacitações, articulação com conselhos e com a sociedade civil organizada e a atuação com a rede de proteção e os canais oficiais de denúncia.

Nas redes sociais

Se esconder atrás das telas e ter a falsa sensação de anonimato nas redes sociais são elementos que levam muitas pessoas a acreditarem que ofensas racistas publicadas na internet não geram consequências. No entanto, especialistas alertam que qualquer usuário pode ser identificado e responsabilizado criminalmente. “Mesmo perfis falsos deixam rastros digitais, como IP, dados de acesso e registros junto às plataformas. Mediante ordem judicial, essas informações podem ser fornecidas e permitir a identificação do autor”, afirma a advogada e tesoureira da OAB Jundiaí, Jéssica Vianna.

         

Jéssica Vianna afirma que ações na internet deixam rastros e é importante denunciar os crimes

Na última semana, por exemplo, a Justiça Federal de Pernambuco condenou um homem a dois anos e 11 meses de prisão, em regime inicial aberto, pelo crime de racismo. “A internet dá uma falsa sensação de anonimato. Muitas pessoas acreditam que, por estarem atrás de uma tela, não vão ser identificadas ou responsabilizadas, o que encoraja esse tipo de comportamento”, explica.

Jéssica avalia que as plataformas avançaram em mecanismos de denúncia e moderação, mas ainda há falhas e a atuação eficaz geralmente depende da denúncia do usuário e, em casos mais graves, da intervenção do Poder Judiciário. “O primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência e guardar todas as provas, como prints, links, mensagens e qualquer outro registro da ofensa. O racismo é um crime considerado muito grave pela legislação brasileira e inafiançável.”

Comentários

Comentários