OPINIÃO

Desafios estruturais para o Brasil


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Um país de extensão continental  como o Brasil enfrenta e continuará convivendo com desafios fundamentais que precisam ser resolvidos para que o país possa evoluir, para a direção de se tornar um país desenvolvido e, consequentemente,  proporcionar um nível superior de qualidade de vida  para a sua população.
Essa condição exige que tenhamos um projeto estrutural para o nosso país e, a partir dele, um planejamento estratégico, para o curto, médio e longo prazos, para serem executados, em graus de prioridades e viabilidade econômica.
É histórico e de pleno conhecimento mundial que os países que mais evoluíram, em velocidade média, em ciência e tecnologia, investiram maciçamente em educação e se tornaram desenvolvidos, exportadores mundiais de bens de elevado valor adicionado.
Melhorar, em nível nacional, nos 5.570 municípios a educação básica, deve exigir das autoridades constituídas ações integradas que oportunizem  uma evolução das nossas  crianças e adolescentes, como condição para alavancarem seus conhecimentos e, assim, construírem, em bases sólidas, um crescimento sustentável para a evolução do nosso país, com melhorias contínuas de produtividade dos trabalhadores e empresas nacionais.
Outro grande desafio está na universalização do saneamento básico em todos os municípios do nosso país. Passo importante já foi dado com o “Marco do Saneamento Básico”, que permite, através de concessões, a participação de empresas nacionais e estrangeiras na implantação e exploração econômica desses benefícios. Já evoluímos  razoavelmente, mas ainda temos um pouco mais de 2.000 municípios com carências em água tratada e coleta de tratamento de esgoto.
Na saúde pública, com o SUS – Sistema Único de Saúde; vacinação avançada; conscientização preventiva sobre a saúde e a melhoria contínua de profissionais competentes e estruturas de exames clínicos, postos de Saúde e hospitais, nos indicam que estamos evoluindo na direção necessária e imprescindível  para o Brasil.
É preocupante, todavia, a questão da segurança pública. Não obstante os investimentos e as ações implementados pelo Governo Federal, pelos  Governos Estaduais e Prefeitos Municipais, temos grandes deficiências e desafios para esse setor, para sairmos da condição predominantemente defensiva para preventiva, de forma a melhorarmos a segurança da sociedade brasileira, hoje atemorizada.
Temos muitos outros desafios. De imediato, o país precisa estancar e, em seguida, reduzir a dívida interna, que já atinge 80,0 % do PIB – Produto Interno Bruto, com um custo anual de juros de cerca de R$ 1,0 trilhão. Como estamos gerando déficits primários (sem os juros), todos os anos no orçamento público, o país somente terá crescimento econômico pífios e baixo nível de investimentos.
Outra grande preocupação está relacionada à Previdência Social.  Temos, cada vez mais, aposentados e pensionistas com uma expectativa de vida maior e, na ponta dos contribuintes, com a constituição dos MEIS, microempreendedores individuais, uma sensível redução nas contribuições ao INSS. O déficit anual da Previdência Social está próximo de R$ 400 bilhões por ano e na fila para se aposentaram temos 2,8 milhões de trabalhadores. Gastos atuais com aposentadorias públicas e privadas já se situam, anualmente, em cerca de R$ 1,3 bilhão.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas

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