OPINIÃO

Autorresponsabilidade.


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Vivemos em uma era paradoxal. Foi assim que começamos o assunto o café da manhã, no meu penúltimo dia de férias, num bate papo com amigos médicos. Percebemos que nunca se falou tanto sobre saúde, autocuidado e bem-estar, e ainda assim nunca houve tantas pessoas adoecendo precocemente, física e emocionalmente. Doenças crônicas,
dores persistentes, obesidade, ansiedade, exaustão, depressão, insônia e desequilíbrios hormonais se tornaram quase normais. E talvez o maior problema seja exatamente esse: normalizamos o adoecer. Essa foi a nossa conclusão.

Mas é preciso olhar para a saúde! E a verdadeira mudança começa quando despertamos
 para a autorresponsabilidade. Não no sentido de culpa, mas de consciência. A autorresponsabilidade é entender que, embora fatores externos influenciem nossa saúde, as escolhas diárias têm um peso determinante sobre como nos sentimos, como envelhecemos e como vivemos.

Muitas pessoas ainda vivem no modo automático, acreditando que cuidar da saúde é algo que só deve acontecer quando a dor aparece, quando o diagnóstico chega ou quando o corpo entra em colapso. E ainda querem terceirizar a saúde. Esse é o modelo da reação, não da prevenção. E ele cobra um preço alto.

Cuidar da saúde não é apenas treinar o corpo ou “comer melhor por um tempo”. Saúde é um estado integral que envolve corpo, mente e emoções, e também a forma como lidamos com o estresse, com o descanso, com o silêncio e com nossos próprios limites. Não existe saúde física sustentável sem saúde mental, assim como não existe equilíbrio emocional sem um corpo que se move, respira e se recupera adequadamente.
A autorresponsabilidade começa quando a pessoa pára de se enganar. Quando reconhece
que o cansaço constante não é normal, que a dor recorrente não é “coisa da idade”, que viver estressado não é sinônimo de produtividade e que negligenciar o próprio corpo não é sinal de força, mas de desconexão.

O autocuidado verdadeiro não é luxo, é necessidade fisiológica. O corpo humano precisa de movimento inteligente, de rotinas organizadas, de sono reparador, de pausas ao longo do dia e de momentos reais de relaxamento do sistema nervoso. Sem isso, o organismo entra em estado de alerta crônico, elevando níveis de estresse, inflamação e desgaste interno, abrindo espaço para doenças que poderiam ser evitadas.

Cuidar de si também é um ato de amor próprio. Amor que se manifesta nas escolhas diárias: no que você come, em como você se move, no quanto se respeita, no quanto se cobra e no quanto se permite descansar. Amor próprio não é discurso bonito, é prática diária.

Quando falamos de saúde integral, falamos também de olhar para dentro. De perceber emoções, pensamentos repetitivos, padrões de auto-sabotagem e crenças que afastam a pessoa do cuidado consigo mesma. Muitas vezes, o maior bloqueio não está no corpo, mas na mente que acredita não ter tempo, não merecer ou não conseguir mudar.

Começar o ano com planos favoráveis a si mesmo não significa criar metas inalcançáveis
ou rotinas rígidas. Significa escolher com mais consciência. Trocar o excesso pela constância. O radical pelo sustentável. Entender que pequenas mudanças, quando mantidas, transformam profundamente a saúde ao longo do tempo.

Autorresponsabilidade é assumir o papel ativo na própria vida. É compreender
que ninguém pode se cuidar por você. Profissionais orientam, métodos ajudam, mas a decisão diária é individual. E quando essa decisão é tomada, algo muda internamente. O corpo responde, a mente acalma e a vida encontra mais equilíbrio.

Cuidar de si é um compromisso com o presente e um investimento no futuro. A
prevenção é silenciosa, mas poderosa. E o primeiro passo sempre começa com uma escolha: olhar para si mesmo com mais respeito, mais consciência e muito amor. Muita saúde a todos.

Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo, pioneira do método ELDOA no Brasil

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