OPINIÃO

As perspectivas e os desafios de 2026


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O Brasil inicia 2026 em desaceleração. Com os juros no maior patamar em duas décadas, a atividade econômica andou de lado no segundo semestre, e as expectativas convergem para um crescimento mais modesto este ano. O mercado estima o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,8% e o governo – sempre mais otimista –em 2,4%. A projeção da Fiesp é de 1,9%.

O crescimento do PIB em 2026 deverá ser puxado pelos setores menos sensíveis aos juros, como agropecuária e indústria extrativa. A perspectiva para a indústria extrativa, aliás, é de um desempenho espetacular, com um crescimento de quase 12% na produção industrial. Bem acima da manufatura para a qual a Fiesp estima uma queda de 0,9% na produção industrial.

Outro vetor positivo para 2026 é o mercado de trabalho que seguirá aquecido, com aumento real dos salários e da massa salarial ampliada pelo quinto ano consecutivo, embora em menor ritmo.

Adicionalmente, medidas de estímulo à demanda anunciadas em programas do governo federal nos últimos meses, como Gás do Povo, Luz para Todos, ampliação do Minha Casa Minha Vida, mudanças no crédito imobiliário, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, entre outras, liberam cerca de R$ 211,9 bilhões para a economia. Esse conjunto traz um viés de alta para o crescimento em 2026.

Além disso, o fato de ser um ano eleitoral, com pleitos estaduais e federal, por si só é um fator de estímulo à atividade, pois, tradicionalmente, ocorre uma expansão do investimento público nesses anos, puxada principalmente pelos estados.

Os juros elevadíssimos fazem o contraponto a esses vetores, colocando um freio ao PIB. O tom duro do Banco Central após a reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária, que manteve a Selic em 15% ao ano, aumentou a aposta do mercado financeiro de que o início da redução da taxa vai ocorrer só em março.

Como os efeitos dos juros são defasados no tempo, ainda que o ciclo de queda comece no primeiro trimestre, os agentes econômicos pouco sentirão seus efeitos ao longo dos próximos meses. E, de qualquer forma, a expectativa do mercado é que a Selic chegue ao final de 2026 em 12,5%, um patamar ainda bastante restritivo, considerando que a inflação anual deve ficar em torno de 4,1%. Nunca é demais repetir que este nível da Selic impacta intensamente setores sensíveis aos juros como a indústria de transformação.

Do ponto de vista dos vetores externos, as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos e a redução da demanda global continuarão tendo efeito sobre o comércio mundial. Mesmo diante do cenário desafiador, o Brasil tem se saído bem. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as exportações devem alcançar US$ 355,5 bilhões este ano, ligeiro aumento de 1,6% em relação a 2025. O superávit comercial previsto para 2026 é de US$ 66,2 bilhões.

Por fim, cabe lembrar que a tão esperada Reforma Tributária sobre o consumo começa a ser implementada neste ano. As alíquotas-teste do IVA brasileiro (que é a união da CBS com IBS) já estão em vigor, iniciando a transição para o novo sistema. Por hora, as mudanças ainda são limitadas, mas é o prenúncio de um modelo mais simples, alinhado às melhores práticas internacionais e que trará mais competitividade à economia brasileira.

Vandermir Francesconi Júnior é 2º vice-presidente do CIESP e 1º diretor secretário da FIESP

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