A escolha do tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira” na redação do Enem 2025 não foi apenas uma provocação acadêmica; foi um recado claro a toda uma geração que herdará um país cada vez mais envelhecido e nem sempre preparado para envelhecer bem.
O Brasil vive uma transformação silenciosa, porém decisiva. Em poucas décadas, deixou de ser um país predominantemente jovem para se tornar uma nação que avança rapidamente rumo a um perfil demográfico mais idoso. A projeção de que, até 2040, o número de pessoas com 60 anos ou mais ultrapassará o de crianças e adolescentes já não é novidade. Mas o que esse dado significa na prática? Significa que todo o nosso sistema, da saúde ao trabalho, da educação à mobilidade urbana, precisará ser repensado. E esse processo exige a compreensão e o engajamento dos jovens de hoje.
Ao propor o debate na prova, o exame fez mais do que avaliar a capacidade de argumentação dos candidatos. Ele convidou os estudantes a enxergar o envelhecimento como um fenômeno coletivo e não apenas como uma etapa distante da vida. Envelhecer é universal. Mas envelhecer com dignidade, saúde, inclusão e autonomia é uma construção social que depende de políticas públicas, mudanças culturais e responsabilidade compartilhada.
A juventude precisa entender que o envelhecimento populacional impactará sua própria vida, seja no mercado de trabalho, nas formas de cuidado dentro das famílias, nas demandas econômicas ou no modelo de desenvolvimento do país. Será necessário se preparar para novas profissões ligadas ao cuidado, para a convivência entre gerações e para a criação de cidades e comunidades que acolham todas as idades. Também será essencial enfrentar preconceitos ainda presentes, como a discriminação etária, que reduz o valor de quem envelhece.
Ao trazer o tema para a pauta nacional, o Enem 2025 ampliou a conversa e estimulou a reflexão sobre como queremos chegar ao futuro. A prova lembrou aos jovens que não basta o país envelhecer, é preciso que ele envelheça de forma mais justa e saudável. E esse avanço só será possível se começarmos agora, ouvindo, aprendendo, planejando e criando soluções que garantam qualidade de vida para todas as gerações.
O envelhecimento não é apenas uma estatística. Ele é um destino comum. E a redação do Enem deste ano teve a coragem de colocar essa realidade no centro do debate. Cabe aos jovens transformar essa reflexão em atitude, participando da construção de um Brasil que valorize todas as etapas da vida.
Edvaldo de Toledo é empresário, enfermeiro, especialista em Cuidados Domiciliares, apresentador do IssoPodAjudar e criador da Cuidare Home Care