Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) tem 8,3 mil famílias a menos no patamar de pobreza do Cadúnico em relação a quase dois anos. A queda é de 27,5% no período de março de 2023 até agosto deste ano.
A maior diferença no período se dá em Louveira, que teve redução de 53,8% no número de famílias em situação de pobreza no Cadúnico. Em seguida, Jarinu teve 46,5%, Várzea Paulista teve 30,9% e Cabreúva teve 24,5%. Em Jundiaí, são 1,9 mil famílias a menos na pobreza, queda de 21% no período. Com redução menor, estão Campo Limpo Paulista, com 18% e Itupeva, que teve 14%.
Em Jundiaí, especificamente, após queda acentuada entre o início e o meio de 2023, houve atualização de cadastros e, entre agosto de 2023 e agosto de 2025, aproximadamente 400 famílias em situação de pobreza entraram no Cadastro Único, segundo a prefeitura. Esse aumento está diretamente relacionado à intensificação da atualização cadastral. Esse processo, no curto prazo, tende a elevar os números. Paralelamente, o mercado de trabalho local manteve-se positivo. Ainda assim, os ganhos de renda não chegam imediatamente às famílias em maior vulnerabilidade, já que existem defasagens e regras de proteção do Bolsa Família que mantêm parte dos domicílios em fase de transição até a consolidação da melhora da renda declarada.
Geral
No país, o número de famílias em situação de pobreza no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal caiu 25%. Eram 26,1 milhões de domicílios nesta situação em maio de 2023 e 19,56 milhões em julho de 2025. Isso significa que 6,55 milhões de famílias aumentaram o patamar de renda acima de R$ 218 mensais por pessoa. Se for considerado o número de indivíduos, isso significa que 14,17 milhões de pessoas passaram a viver com renda maior.
“A renda é um componente fundamental para as pessoas terem acesso aos alimentos e o resultado é que, combinando desenvolvimento econômico e social, tiramos o Brasil do Mapa da Fome e as pessoas estão saindo da pobreza, seja pelo trabalho ou pelo empreendedorismo", afirmou o ministro Wellington Dias (MDS).
Estudo conduzido pela Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único (Sagicad) do MDS revelou ainda um aumento de renda no recorte superior ao da situação de pobreza. Para o secretário da Sagicad, Rafael Osório, isso reflete avanços dos programas sociais, a melhora no mercado de trabalho e o processo de qualificação do Cadúnico, que incorporou automaticamente dados sobre renda formal dos trabalhadores.
“Com a integração das informações com outras bases de dados, reduzimos a dependência da autodeclaração. Este avanço diminui o esforço das famílias, alivia a carga sobre os municípios na atualização cadastral e qualifica as informações usadas pelos programas sociais, o que contribui para focalizar as políticas públicas”, explicou Osório.
RENDA — As famílias são identificadas no Cadúnico em três grupos de renda mensal: em situação de pobreza (de R$ 0 a R$ 218); em situação de baixa renda (entre R$ 218,01 e meio salário mínimo); e com renda acima de meio salário mínimo. A renda familiar mensal por pessoa é calculada dividindo a renda mensal total da família (soma das rendas individuais) pelo número de pessoas que compõem a família. A renda individual considera o menor valor entre a renda de trabalho do último mês e a média do valor recebido pelo trabalho nos últimos 12 meses, somada a outras rendas (como BPC, aposentadoria, pensão alimentícia e doações).
BASES INTEGRADAS — Além da renda declarada pelo responsável familiar, o MDS passou a integrar ao CadÚnico a renda formal de trabalho e de benefícios previdenciários e assistenciais advindos do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Desde 2023, foram realizadas sete ações de povoamento da renda entre os dois cadastros, ou seja, integrou e atualizou as informações de renda de 33 milhões de pessoas. Na primeira ação, 15% das famílias em situação de pobreza passaram para a faixa de baixa renda ou acima de meio salário mínimo, e 29% das de baixa renda migraram para acima de meio salário mínimo.
DOMICÍLIOS — Entre janeiro e julho de 2025, a proporção nacional de inclusão e atualização com entrevista domiciliar saltou de 11,5% para 40,2%, impulsionada pela aplicação da Lei nº 15.077/2024, que passou a exigir a realização de entrevista domiciliar para o ingresso de famílias unipessoais no Bolsa Família e no BPC, com exceção de indígenas, quilombolas e população em situação de rua.
BUSCA ATIVA — A iniciativa é voltada à atualização e/ou inclusão de cadastros em domicílio, com foco em famílias unipessoais, bem como na busca ativa de Grupos Populacionais Tradicionais e Específicos (GPTE), pessoas idosas, em situação de rua, com deficiência ou crianças em situação de trabalho infantil.