PODCAST JJ

Crescimento desordenado exclui população local, alerta vereadora

Por Felipe Torezim |
| Tempo de leitura: 2 min
Samuel Silva/JJ
Mariana Janeiro cobrou transparência no planejamento urbano de Jundiaí
Mariana Janeiro cobrou transparência no planejamento urbano de Jundiaí

A pressão do mercado imobiliário sobre Jundiaí tem provocado desequilíbrios que afetam a mobilidade, o meio ambiente e, sobretudo, o direito à moradia da população local. É o que alerta a vereadora Mariana Janeiro (PT), que participou do podcast JJ (Jornal de Jundiaí), apresentado pela editora-chefe Ariadne Gattolini. A parlamentar protocolou um requerimento na Prefeitura de Jundiaí para saber quais empreendimentos foram aprovados na cidade nos últimos 10 anos.

A iniciativa, segundo a parlamentar, busca lançar luz sobre um cenário que, na sua avaliação, tem beneficiado grandes construtoras e investidores de fora da cidade, ao mesmo tempo em que empurra os jundiaienses para fora do mercado de habitação. O tema, inclusive, foi abordado em sessões ordinárias na Câmara Municipal, quando o vereador Juninho Adilson (União) chegou a pedir a exoneração do secretário de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, André Ferrazzo.

“A questão da habitação e do crescimento populacional, as moradias de interesse social são uma pauta histórica petista. E nós estamos acompanhando que, na última década, além de não terem construído nenhum complexo habitacional de interesse social, a gente viu a bolha imobiliária crescer muito. E para um público que eu não diria nem mais que é classe média e sim empreendimentos de alto padrão”, afirmou.

Mariana ressaltou que o mercado imobiliário em Jundiaí tem um perfil de imóvel de renda ou imóveis de prospecção, ou seja, uma pessoa que compra um imóvel para alugar para pessoas que não são de Jundiaí, gerando um crescimento populacional de pessoas que moram, mas não vivem na cidade. Nesse contexto, a parlamentar alertou para alguns pontos, como a piora na mobilidade urbana em áreas que há 10 ou 15 anos eram inimagináveis e o aumento nos preços do aluguel de apartamentos e casas.

“Isso é muito complicado para a dinâmica da cidade. Então, o nosso requerimento vem nesse sentido de entender este crescimento, o que a gente tem de contrapartida, o que nós temos de contrapartida de interesse social e, se foi feito, quais foram os resultados desses estudos de impacto”, disse. Vale ressaltar que os empreendimentos de interesse social são aqueles que atendem à classe média, classe média-baixa.

Região Central

No requerimento, Mariana Janeiro solicitou informações das ações que estão sendo feitas para equalizar a desocupação dos imóveis no Centro. contrastando com o aumento de construções em bairros periféricos. “Por que não pensar em moradias no centro, onde já existe infraestrutura? Em vez disso, estamos inchando regiões sem a mínima estrutura básica”, criticou. A parlamentar também questiona se os bairros que recebem novos condomínios têm suporte em transporte, educação, saúde, saneamento e comércio.

Foram abordados, ainda, temas como meio ambiente, desenvolvimento de Plano Diretor e a necessidade de dar transparência ao planejamento urbano. A Prefeitura de Jundiaí tem até 20 dias para responder ao requerimento. A expectativa é de que, a partir dos dados, o mandato da vereadora possa aprofundar o debate e cobrar políticas públicas mais justas, inclusivas e sustentáveis para a cidade. O podcast completo está no portal jj.com.br. 

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