PREOCUPAÇÃO

Tarifaço de Trump começa e acende alerta em Jundiaí

Por Felipe Torezim |
| Tempo de leitura: 2 min
Agência Brasil
O tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump entrou oficialmente em vigor nesta sexta-feira (1º).
O tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump entrou oficialmente em vigor nesta sexta-feira (1º).

O tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump entrou oficialmente em vigor nesta sexta-feira (1º). A medida, anunciada em julho, eleva o valor da tarifa de importação de produtos brasileiros para 50%. Mesmo com cerca de 700 exceções — como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo motores, peças e componentes —, a sanção acende o alerta em Jundiaí e nas demais cidades da região.

Segundo o economista Gustavo Monteiro, Jundiaí está entre as 96 cidades do Estado de São Paulo que mais exportaram para os Estados Unidos em 2024. “As exportações de Jundiaí somaram R$ 915 milhões, sendo um quarto delas destinada aos EUA. Isso representa R$ 234,4 milhões em exportações para o país norte-americano”, afirma. “Dessas exportações, 88,4% foram de produtos industrializados, com maior valor agregado. E, entre os 10 principais produtos exportados daqui para os EUA, somente um — os transformadores elétricos — está na lista de exceções da tarifa. Isso significa que a alíquota será de 10%. Os outros nove produtos serão taxados em 50%”, completa.

Gustavo Monteiro relata preocupação com Jundiaí e outras cidades do Estado de SP

O especialista explica que ainda é cedo para medir os impactos do tarifaço, mas a situação gera muitas incertezas — o que acaba sendo muito ruim para os negócios. “As empresas já devem estar procurando outros compradores para seus produtos. Mas, se essa incerteza se prolongar, elas podem acabar tendo que reduzir sua produção, o que pode levar a demissões e até ao fechamento de estabelecimentos. Para evitar consequências maiores, o governo federal tem dito que fará um plano de ajuda para as empresas mais afetadas.”

Monteiro ainda avalia que a crise pode se aprofundar a longo prazo. “Se Trump continuar agindo como um agente do caos, isso pode levar a desequilíbrios na economia e na sociedade, que levariam muito tempo para serem corrigidos. Por outro lado, o Brasil pode sair fortalecido dessa crise, com novos acordos e parceiros comerciais, menor dependência dos EUA e redução da inflação”, comenta.

Política

Segundo levantamento realizado pela CNN, quase metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos ficou livre da tarifa adicional — algo que parecia improvável no anúncio inicial do tarifaço. Para o cientista social Samuel Vidili, o governo brasileiro fez o que pôde nas negociações, uma vez que os EUA já haviam decidido usar as tarifas como arma política. No fim, o presidente Donald Trump “latiu, mas não mordeu”.

“Internacionalmente, o Brasil sai mais fortalecido. Mostramos ao mundo que é preciso haver limites para a ingerência americana. Nacionalmente, a imagem do governo melhora um pouco, mas ainda estamos rachados”, avalia.

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