OPINIÃO

Segurança alimentar infantil: uma causa de todos


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A insegurança alimentar e nutricional está presente em um terço dos domicílios paulistas – e atinge pelo menos uma criança em cada um deles. Trocando em números, estamos falando de cerca de 10,6 milhões de pessoas convivendo com a incerteza da próxima refeição.

Para as crianças de zero a dez anos, os déficits nutricionais são ainda mais nefastos, pois sabemos que não é possível aprender de maneira efetiva sem alimentação adequada. A deficiência nutricional afeta diretamente o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional, prejudicando a aprendizagem. É inaceitável conviver com esta realidade no estado mais rico do país.

Diante disso, Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp criou o Programa Alimentar o Futuro – pela Segurança Alimentar e Nutricional na Infância. Realizado em parceria com o Ciesp e o Sesi-SP, instituições com grande poder de mobilização no estado de São Paulo, tem o propósito de implementar iniciativas direcionadas à segurança alimentar e nutricional das crianças paulistas.

O Alimentar o Futuro atua como catalisador de políticas públicas integrando a sociedade civil, o setor industrial e o poder público para garantir uma alimentação adequada e saudável na infância. Na semana passada, o programa recebeu a adesão de prefeituras das regiões de Araraquara e do Vale do Ribeira em solenidade realizada na sede de Fiesp e Ciesp.

As prefeituras são estratégicas para fazer valer o direito de toda criança se alimentar bem, em quantidade e qualidade, bem como garantir o adequado desenvolvimento para todos desde os primeiros anos de vida.

As empresas que querem contribuir para uma sociedade mais justa e equânime, mostrando preocupação com a responsabilidade social, também podem ter papel relevante neste processo. Afinal, assegurar alimentação apropriada na infância é um investimento no futuro do país.

Infelizmente, a fome ainda é um problema global. O relatório O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo das Nações Unida mostra que, em 2023, mais de 700 milhões de pessoas passavam fome no planeta. Isso significa que uma em cada 11 pessoas no mundo não tinha acesso à alimentação de qualidade.

No evento de adesão das prefeituras ao Programa Alimentar o Futuro também foi assinado o Acordo de Cooperação Técnica entre a Fiesp e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). A ideia é promover intercâmbio de informações, dados técnicos, experiências e cooperação para o fortalecimento de políticas públicas de modo a promover e fomentar a segurança alimentar e nutricional no estado de São Paulo.

Vale ressaltar que a nutrição adequada tem ainda como propósito evitar o sobrepeso e a obesidade infantil, que são resultado de alimentação inapropriada. Sobrepeso e obesidade em tenra idade levarão ao aparecimento de doenças crônicas graves no decorrer dos anos. Portanto, combatê-los desde cedo significa apostar em uma população adulta saudável no futuro.

Para as indústrias, a segurança alimentar e nutricional infantil vai além de ser uma causa social. Trata-se de um posicionamento estratégico alinhado à agenda ESG, uma oportunidade de as empresas se engajarem em uma causa basilar para o desenvolvimento sustentável do país. O setor industrial pode puxar esta agenda de enorme impacto positivo junto à sociedade.

Vandermir Francesconi Júnior é 2º vice-presidente do CIESP e 1º diretor secretário da FIESP (vfjunior@terra.com.br)

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