OPINIÃO

O inferno chamado Bezinha


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O Paulista FC luta para sair do ostracismo. Sem divisão nacional, estando na quinta divisão estadual, o Galo tem ganhado manchetes fora de campo, com o possível acordo de venda da SAF à empresa EXA Capital.

Entretanto, com os pés no chão, é sabido: não se tem uma proposta real, por enquanto tudo está no campo da especulação, e, pelas entrevistas que Pedro Mesquita, que responde como interessado, tem sido falado, restam ainda 90 dias para a auditoria das contas ficar pronta.

Enquanto isso, dentro de campo, o torcedor jundiaiense continua sofrendo. Afinal, na marra e a contragosto, teve que se acostumar vendo o time nas últimas divisões. E esse ambiente é propício a todo tipo de amadorismo, malandragem, atitudes varzeanas e anti-profissionalismo. Quer mostra disso?

Tempos atrás, contra o Barcelona da Capela do Socorro, o Paulista venceu por “WO” por falta de ambulância. Também tivemos um WO antes, com o Atlético de Mogi das Cruzes faltando ao estádio Jayme Cintra pois os jogadores não quiseram entrar no ônibus por falta de pagamento. Não nos esqueçamos do episódio do Olímpia, onde os jogadores foram acusados de manipularem resultados (e nas últimas divisões, os apostadores povoam os jogos contaminando os resultados, a partir de suborno a atletas – curiosamente, não se falou ainda de árbitros ou treinadores).

É por essas e outras que o Tricolor da Terra da Uva deve sair desse limbo. Veja na última rodada, a atuação contra um time de péssimo comportamento como o ECUS. O goleiro Marcão, somente no segundo tempo, parou a partida 8 vezes no segundo tempo simulando contusões, tudo isso com o aceite do fraco árbitro (não se pode cobrar árbitro de elite para times da pior divisão). Se não bastasse a cera cometida, após o jogo, o goleiro literalmente virou o bumbum para o setor de cadeiras cativas e rebolou para os torcedores que o vaiavam. Isso é profissionalismo?

A verdade é: a 5ª divisão de São Paulo é caótica, e ela consegue ser desnivelada e nivelada ao mesmo tempo (embora pareça ser uma contradição).

1- Desnivelada, pois há clubes muito ruins incluindo na segunda fase. Vide o Manthiqueira de Guaratinguetá! Não dá para dizer que o nível técnico daqueles esforçados atletas é o mesmo de outros clubes do torneio.

2- Nivelada, pois a qualidade do “jogo jogado” é aquém do que se espera do futebol profissional. Não há clube confiável, nem elenco de destaque sobrepujando outras agremiações. É tudo “mais ou menos ruim”, beirando o amadorismo. Claro, é a última divisão e se tem a limitação de 23 anos de idade aos jogadores.

Como resolver isso? Saindo dela, obviamente. Formando atletas de melhor qualidade técnica com um trabalho sincronizado com as categorias de base. E eis o grande problema: o Paulista FC abdicou da sua base, ele está arrendando suas equipes Sub 20 para baixo, e é exatamente o caminho errado.
O Mirassol, por exemplo, faz um ótimo trabalho na série A do Paulistão e na B do Brasileirão, pois conseguiu investir o dinheiro da venda do jovem Luiz Araújo em um CT de formação, fazendo com que o dinheiro renda mais dinheiro! E quantos atletas saíram das fileiras do Galo? Como se administrou a grana que entrou deles?

Os times Sub 17 e Sub 15, em especial, são as “galinhas de ovos de ouro” dos clubes, pois eles atraem estrangeiros pagando em euros. Onde estão essas equipes do Paulista FC?
A visão de gerenciamento está igualmente atrelada à da agremiação em campo: na última divisão. Que tenhamos gente competente que ajude o time tão querido de Jundiaí a fugir desse cenário (com ou sem SAF).

Rafael Porcari é professor universitário e ex-árbitro profissional (rafaelporcari@gmail.com)

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