AMBIENTE

Pantanal ganha reserva de proteção em área estratégica em MS

De propriedade da ONG Panthera Brasil, objetivo garantir a conservação da diversidade biológica no bioma, que, neste ano, volta a enfrentar seca severa e o risco de queimada

Por Silvia Frias | 11/06/2024 | Tempo de leitura: 3 min
da Folhapress

Arquivo/Joédson Alves/Agência Brasil

No somatório do ano, o bioma localizado nos estados de MT e MS registrou 1.069 focos de incêndio; em 2023, foram 106 pontos no mesmo período
No somatório do ano, o bioma localizado nos estados de MT e MS registrou 1.069 focos de incêndio; em 2023, foram 106 pontos no mesmo período

Uma portaria do Ministério do Meio Ambiente criou a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Howard Quigley, com 643,33 hectares na região do pantanal, em Corumbá (MS). A nova área com esse status de proteção se soma a outros 87,1 mil hectares de reservas federais em Mato Grosso do Sul.

De propriedade da ONG Panthera Brasil, a reserva tem como objetivo garantir a conservação da diversidade biológica no bioma, que, neste ano, volta a enfrentar seca severa e o risco crescente de incêndios florestais. Apesar de ficar em território sul-mato-grossense, o acesso principal é feito por Porto Jofre (MT), por meio da rodovia Transpantaneira e, depois, por via fluvial.

A portaria de criação foi publicada no Diário Oficial da União na última quarta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, assinada pelo presidente do ICMBio, Mauro Oliveira Pires. O nome da RPPN homenageia um biólogo americano que foi pioneiro no estudo da onça-pintada no Brasil e que morreu em setembro de 2022.

"[A medida] ajuda a formar um mosaico de áreas protegidas", diz Fernando Tortato, pesquisador da Panthera Brasil. A ONG foi criada em 2014, com foco na conservação das nove espécies nacionais de felinos selvagens e seus ecossistemas. Segundo Tortato, em 2013, a organização adquiriu a área, que fica dentro da chamada baía das Piranhas, com intuito de conservação.

Somente dez anos depois o processo burocrático da criação da RPPN avançou, em parceria com o projeto Piúva Rosa, além de Rainforest Trust, Pew Charitable Trusts e Andes Amazon Fund.

O pesquisador pondera que a área é pequena em comparação a outras reservas federais no estado, como a Fazendinha, em Miranda (MS), que tem cerca de 9.600 hectares, mas a Howard Quigley, ele avalia, é estratégica por estar localizada na confluência dos rios Cuiabá e Piquiri, na sub-região do Paiaguás, vizinha ao Parque Estadual Encontro das Águas, já no território de Mato Grosso. "Acaba formando um corredor, expandindo a zona de proteção do entorno", explica o pesquisador.

A ONG tem buscado parcerias para turismo de observação de felinos, com construção de torres e trilhas na nova reserva. Segundo levantamento da organização, foram identificadas na RPPN Howard Quigley 172 espécies vegetais, 365 espécies de aves, 53 de mamíferos, 37 de anfíbios e 75 de répteis. Na lista, constam animais em risco de extinção, como tatu-canastra, ariranha, lobo-guará, cachorro-do-mato-vinagre, tamanduá-bandeira e onça-pintada.

Outras duas áreas em Mato Grosso do Sul estão em avaliação para se tornarem reserva federal, com pedidos elaborados pelo projeto Piúva Rosa e ações executadas a cargo da Funatura (Fundação Pró-Natureza).

O coordenador geral do projeto, Laércio Machado de Sousa, conta que são terras localizadas em Bonito e Miranda. Além da RPPN Howard Quigley, o Piúva Rosa também auxiliou na criação da reserva de 38,4 hectares da Lagoa Misteriosa, em Jardim, oficializada em abril.

No total, segundo dados da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Mato Grosso do Sul tem 52 RPPNs cadastradas como unidades de conservação, com 66,618 mil hectares de reservas estaduais e 87,775 mil hectares de reservas federais. No país, são 775 reservas federais, com 531,526 mil hectares.

Para Tortato, a oficialização como reserva federal também é importante para "ganhar aliados", como o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e as equipes do Ibama/PrevFogo no combate aos incêndios florestais. "É uma realidade: o pantanal está enfrentando um ciclo severo de secas. O rio Paraguai está em um dos menores índices registrados. O bioma se torna muito mais vulnerável", conclui.

Desde abril, o Corpo de Bombeiros de MS prepara ações de combate aos incêndios florestais, por conta da estiagem e das chuvas abaixo da média. Daquele período até agora, conforme dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o estado registrou 618 focos de incêndios, 260 somente no pantanal.

No somatório do ano, o bioma localizado nos estados de MT e MS registrou 1.069 focos de incêndio. Em 2023, foram 106 pontos no mesmo período.

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