OPINIÃO

Brasil, uma orquestra desorganizada

29/05/2024 | Tempo de leitura: 2 min

Em uma orquestra, temos o maestro, os músicos, os instrumentos e as respectivas partituras. Para que a música flua com a maior perfeição possível, é preciso que todos os instrumentos estejam afinados e que os músicos toquem seguindo rigorosamente as partituras. Não é pertinente que músicos abandonem as partituras e improvisem. Se ocorrer, haverá distúrbios na música.

A economia de um País é como uma orquestra: exige para se obter os melhores resultados macroeconômicos, que o governo, em suas decisões, siga os manuais da ortodoxia econômica, já de pleno conhecimento de todos os países do mundo, que praticaram, com obediência rigorosa, esses princípios e os resultados que obtiveram de crescimento econômico sustentável, com a inflação baixa e sob controle.

O Brasil parece um país que teima em seguir direções próprias, sob a influência de partidos políticos que o apoiam no Congresso Nacional, não cumprindo com o necessário "ajuste fiscal", com superávits primários, não obstante os esforços, isolados, dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento e, produz, através de excesso de "gastos" (não se referindo a investimentos, que são necessários e produzem resultados positivos, como o avanço e melhoria da infraestrutura, melhoria da educação e saúde do País; equacionalmente das deficiências no saneamento básico e na melhoria e modernização no ambiente de negócios do País), que resultam em déficits primários e aumento da dívida interna do País.

Em 2023, o "Governo" investiu em nossa economia, apenas 0,85 % do PIB - Produto Interno Bruto. A cada ano que passa, os investimentos governamentais vão encolhendo e quase que deixando os "investimentos" por conta da iniciativa privada, porém, acontece que a "poupança interna" é de apenas 16,0 % do PIB - Produto Interno Bruto e, dada a intercadência da atividade econômica que gera insegurança nos negócios e incertezas sobre o "futuro" próximo da economia brasileira, se somam, negativamente, com juros altos praticados no Brasil e créditos seletivos, os quais não estimulam que as empresas invistam e ficamos "patinando", com o " Go and stop", e involuindo na produtividade da mão de obra e na modernização do parque produtivo nacional.

A visão errática do mandatário do País e de sua equipe ligada à política, que olham somente para o aqui e agora e dos interesses partidários e, não para o amanhã, produzem ambiguidades nas decisões econômicas, excesso de gastos e deixam ao País uma herança negativa que impactará, cada vez mais, o futuro do País e suas gerações.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas (messiasmercadante@terra.com.br)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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