OPINIÃO

Em Memória de Nosso Pai

05/05/2024 | Tempo de leitura: 4 min

O Jornal de Jundiaí informa aos leitores que o querido João Carlos José Martinelli faleceu na noite da última segunda-feira (29). Essa última coluna foi escrita pelos quatro filhos do advogado.

Nos últimos dias, enquanto esteve hospitalizado, nosso pai tinha preocupações que muito bem demonstravam algumas das tantas qualidades intrínsecas à sua personalidade. Sobre estas, resolvemos relatar neste espaço, que foi veículo para propagar textos de sua autoria e narrativa por inúmeros domingos.

Primeiramente, nos raros momentos em que sua esposa não estava ao seu lado, perguntava para quem estivesse no quarto do hospital: "a que horas a Ivone chegará"? Um marido apaixonado, sua prioridade era estar em companhia da razão de sua vida. Foram quase 46 anos de casados, somados a cinco de namoro, resultando em um casal que causava admiração de todos que os viam juntos, sempre de mãos dadas ou abraçados. Era comum o Dr. Martinelli contar histórias em uma mesa, mas não sem estar acariciando os cabelos da Ninha, que tinha um marido "gamado", como ele dizia.

Outro questionamento que se ouvia frequentemente era sobre seus filhos e netas. João Carlos foi um pai dedicado. Fazia questão de reunir a família na mesa sempre que possível. Os almoços de domingo eram sagrados. Nunca mediu esforços para proporcionar que os filhos não passassem pelas dificuldades que vivenciou, dando-lhes grandes oportunidades. Além disso, sempre apoiou cada um em suas escolhas pessoais e profissionais. João Paulo, Karina, Daniel e Felipe não tinham um pai, tinham um ídolo. Mais afetuoso ainda foi com suas netas, Bella e Marina, que tiveram a sorte de encontrar com seu avô em uma fase de maior disponibilidade.

Também um ponto importante que lhe causava inquietação, em seu leito, era finalizar a "Coluna do Martinelli", no Jornal de Jundiaí. Enquanto não enviava seu texto, não se tranquilizava. Chamado de Poeta do Cotidiano, trabalhou com jornalismo, ininterruptamente, desde os doze anos de idade. Orgulhava-se de ter sido redator-chefe aos dezoito anos, além de ter passado por várias funções dentro da área. Honrado, também, de ter entrevistado grandes artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Toquinho, Renato Teixeira, e, principalmente, de ter realizado uma exclusiva com Pelé. Exaltava, ainda, o tempo de setorista na época da "Segunda Academia" do Palmeiras.

E o "Verdão" também era lembrado. Conseguiu uma televisão na UTI para assistir ao seu time do coração, que sempre foi um elo de ligação na família, ser campeão paulista em 2024. Dizia com frequência: "A Sociedade Esportiva Palmeiras não é um clube, é uma instituição".

Ainda na comunicação, João Carlos se atentava em postar nas suas páginas da internet sempre que possível. Antes mesmo da febre dos influenciadores digitais, ele se reinventou ao cativar milhares de pessoas com suas imagens e histórias sobre Jundiaí, com poesias e o evangelho de todo dia. Pelas redes sociais, Martinelli mostrava todo seu carinho por seus amigos. Quem nunca recebeu suas felicitações pelo aniversário um dia antes da data? Quem não curtia as fotos postadas com flores e paisagens da cidade?

Profissional dedicado, constantemente indagava, na enfermaria, como estava o escritório. O Dr. Martinelli dedicou 48 anos da sua vida à advocacia, tornando-se um dos principais patronos da história desta cidade, merecedor de todas as honrarias que recebeu. Foi Vice-presidente da 33ª Subseção da OAB/SP, defendia a classe com garra e carregava no peito o orgulho de ser advogado.

Todos os dias, no centro de saúde, falava ao coordenador do Unianchieta que voltaria a ministrar suas aulas o quanto antes. O Mestre Martinelli participou da formação de milhares de estudantes de Direito, com décadas destinadas à cadeira de Direito Empresarial, antigo Direito Comercial, e de Direitos Humanos. Tinha até um bordão, replicado por seus alunos, quando indagava se os discentes haviam entendido a sua explicação: "Doutores no assunto"?

São tantas histórias, tantas vivências, tantos feitos, que poderíamos preencher muitas páginas. Seja na família, nos jornais, nos bancos da faculdade, na advocacia, nas redes sociais ou no lazer, João Carlos sempre propagou a honestidade, a empatia, o amor ao próximo, a amizade, a justiça e a notícia. E agora, que possa descansar, observando seu legado e seus ensinamentos prosperarem por aqui. Que sorte a nossa de tê-lo como pai.

João Paulo, Karina, Daniel e Felipe Martinelli foram filhos de João Carlos João Martinelli

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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