Os fãs da icônica banda Mamonas Assassinas certamente se lembram da passagem marcante que o grupo teve por Jundiaí. O filme que retratou a breve, porém intensa, trajetória da banda trouxe à tona a energia e irreverência que os músicos deixaram em cada cidade por onde passaram, e a “Terra da Uva” não foi exceção.
Mas, o que poucos sabem, é que os responsáveis por trazer os Mamonas Assassinas até as terras jundiaienses, foram Kaká Padula, divulgador da Emi Odeon e Glauco Chaves, hoje vocalista da banda de rock nacional Aranhas Amplificadas.
A ideia surgiu através de Kacá, que sugeriu uma tarde de autógrafos. “Foi em 23 setembro de 1995. A música deles já estava sendo tocada na rádio ‘89 FM’. Os Mamonas já haviam feito uma tarde de autógrafos em Campinas e depois, em Jundiaí, foram para a Studio 13, loja de CD’s no Maxi Shopping, a qual eu gerenciava na época”, conta Glauco.
Segundo o vocalista, a interação com os Mamonas durante a organização da tarde de autógrafos foi incrível. Apesar da fama recente, eles eram acessíveis e descontraídos. “Eles foram todos simpáticos, alegres e divertidos. Nesse dia, o Maxi parou porque ninguém esperava tamanho sucesso de uma tarde de autógrafos. Além disso, os meios de comunicação da cidade não quiseram divulgar porque eles não eram ‘tão conhecidos’, então tínhamos apenas um cartaz dos Mamonas na vitrine da loja, avisando sobre a tarde de autógrafos às 14h.”
No entanto, quando o relógio bateu 13h30, uma aglomeração já se formava. “O corredor que dava acesso à loja ‘entupiu’ de pessoas. As lojas próximas pararam de trabalhar. A fila para ver os Mamonas Assassinas saia de dentro da Studio 13 e chegava ao fim no lado de fora do shopping, perto do banco Bradesco”, lembra Glauco. Com fila na entrada, fãs por todo lugar e o shopping parado, a banda só chegou às 17h30 em um compromisso marcado para às 14h. O vocalista das Aranhas conta que houve uma blitz no caminho Campinas - Jundiaí e o ônibus dos Mamonas foi revistado. “Não acharam nada. Os meninos eram divertidos por natureza.”
Perguntado sobre histórias ou momentos dos bastidores que se lembra, Glauco conta que ele e Evandro Prado, vendedor da Studio 13, entraram no ônibus de turnê da banda, após a sessão de autógrafos, e foram todos juntos para o show na Bis Brasil, que na época, ficava próxima ao Terminal Central. “Foi só diversão. Na saída do ônibus, conversei com o Dinho. Ele relatou que todos os membros estavam admirados com a proporção de fãs. Foi nesse dia que, segundo o vocalista dos Mamonas Assassinas, perceberam que haviam se tornado um grande sucesso.”
Com os Mamonas em Jundiaí, o dia foi mais do que uma tarde de autógrafo e show; foi uma celebração da música nacional. “Caiu no gosto popular das crianças, principalmente. Foi mágico.” No ano seguinte, em 1996, os Mamonas Assassinas voltaram à Jundiaí para um show no Clube Jundiaiense. “Foi um show lotado também. Depois do acidente, eu me encontrei com os familiares do Dinho, que moram em Jundiaí. Na época, fizemos uma homenagem para a mãe do Dinho, no Jornal de Jundiaí”, finaliza.