Opinião

Amizade, doce poesia que eternizamos na vida

16/07/2023 | Tempo de leitura: 3 min

O Dia Internacional da Amizade, comemorado a 20 de julho, quinta-feira próxima, foi criado pelo filósofo e sociólogo argentino Enrique Ernesto Febbraro, inspirado pela chegada do homem à Lua, nesta data em 1969. Em alguns estados brasileiros como o Rio de Janeiro, sua celebração é determinada por leis próprias, motivadas estritamente por apelo comercial – um evento para troca de presentes. No entanto, o seu propósito original é incentivar a reflexão sobre esse importante e necessário instrumento de união entre as pessoas, notadamente num mundo extremamente consumista e competitivo.

Apesar do tema se constituir em fonte inesgotável de todas as formas artísticas (que o digam Milton Nascimento e Renato Teixeira), o unilateralismo prevalece de maneira assustadora. Com efeito, o dinamismo provocado pelos reflexos materialistas leva os indivíduos a se fecharem em si mesmos, pois passam a viver em função de ganhos, posição social e poder, como se tais aspectos fossem fundamentais às suas realizações. Esquecem-se das circunstâncias humanistas e imprescindíveis à própria felicidade, como gestos e atitudes fraternas, relacionamentos afetivos, solidariedade com o próximo, respeito a todos os seres vivos em geral e tantas outras, sobrepostas por interesses exclusivamente pessoais e ao mesmo tempo, carregados de puro egoísmo.

Nesta trilha, a psicóloga Rosely Sayão assim se expressou: "Fazer amigos ajuda a combater a ideologia consumista de nosso tempo, que pega tão pesado com os jovens, já que ter amigos subverte a lógica do consumo. Quem cultiva amizades entende que mais importante do que ter o poder de ter algo é ter alguém ao lado, poder contar com alguém" (Caderno Equilíbrio, Folha de São Paulo, p. 12 -25/08/2005).

Por outro lado, o cultivo da amizade gera satisfação, apoio, segurança, lealdade, conforto e principalmente, respeito à ordem social da qual o Direito é o seu instrumento regulador. Ocorre que, quando os indivíduos se conhecem, se gostam e se respeitam, dificilmente infringem normas legais, uns contra os outros. Tanto que ela é citada por Aristóteles como uma das principais bases da consolidação do regime democrático. Ele igualou esse relacionamento sadio entre irmãos à democracia, que só seria possível pelo processo de fraternização. E atualmente, por questões políticas, há muito desrespeito e animosidade.

Desta forma, a data de quinta-feira é muito importante, já que busca valorizar as ligações amistosas entre as pessoas e que estão praticamente ausentes da convivência na atualidade. Com efeito, a rapidez na luta pela sobrevivência, tem evitado uma vida mais afetiva, desprendida e próxima dos outros, aspectos que, embora praticamente ignorados diante da atual crise de valores, são benéficos ao nosso amadurecimento. A amizade transmite confiança, compreensão, atenção, perdão, cumprimento, simpatia e outros atributos significativos à nossa realização em vida. "É por isso que os amigos, ainda que ausentes, estão presentes. Ainda que pobres, têm abundância; ainda que fracos, são fortes e, o que é mais difícil dizer, ainda que mortos, estão vivos: tamanha é a consideração, a lembrança, a saudade dos amigos que os acompanha (...)", escreveu Santo Agostinho, em Confissões IV.  E Roque Schneider indicou: "a amizade é a doce canção da vida e a poesia da eternidade".

Quando formos capazes de pensar na satisfação de todos e não apenas em vantagens próprias, iremos superar a conjuntura moral do mundo e, em conseqüência, as dificuldades econômicas, sociais e tantas outras que afligem o homem e a nossa realidade será mais amena e conviveremos mais e melhor com nossos semelhantes.

25 de julho. DIA NACIONAL DO ESCRITOR NO BRASIL - Homenageamos os escritores, grandes responsáveis pelo avanço no desenvolvimento da sociedade em todos os aspectos, até no de construir sonhos, sem os quais a vida não tem quase nenhum encanto.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário e ex-presidente da Academia Jundiaiense de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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