HISTÓRIA

O pequeno e charmoso Gurgel resiste ao tempo e tem seus fãs

Por Yasmim Dorti |
| Tempo de leitura: 3 min
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Na época de seu surgimento, o mercado brasileiro respondeu positivamente aos carros da marca
Na época de seu surgimento, o mercado brasileiro respondeu positivamente aos carros da marca

Os carros Gurgel, uma marca que fabricava automóveis 100% nacionais, marcaram a vida de muitos brasileiros entre as décadas de 70 e 90. Mesmo com a sua falência, em 1994, amantes de carros ainda guardam um carinho pela marca.

O comerciante Eduardo Pires Farinha Filho, de 58 anos, morador do bairro Tijuco Preto, em Jundiaí, tem dois carros Gurgel. "Meu carro é um XEF 1984, adquiri ele em 1999. Foi a primeira vez que tinha visto um carro desse e me interessei por ele em 97. Somente dois anos depois eu consegui comprá-lo. Desde então, uso ele até hoje. Ele está desgastado com o uso, mas não paro de andar com o carro. São 24 anos com o carrinho e ele não para", contou Eduardo. "O outro é um BR 800. Este comprei para restaurar. Nunca deu, mas contínuo com ele, mesmo sem motor", complementou.

Rogério Alves de Oliveira, de 35 anos, trabalhador de uma indústria do ramo alimentício, morador de Jarinu, adquiriu seu Gurgel em 2017. "Eu tenho um Gurgel BR 800 de 1990, que foi comprado em Jundiaí. Ele ficava estacionado à venda no bairro Vila Arens e foi amor à primeira vista. Foi 5 anos namorando ele. Sempre que eu ia para Jundiaí passava onde ele ficava estacionado, até que consegui o dinheiro e comprei em 2017. Entrou para a família e é mais para coleção mesmo. Ele ainda anda e está tudo em ordem, deu problema nele apenas na pintura que está queimada", explicou Rogério.

O administrador Tiago José Degani dos Santos, de 37 anos, é morador do Jardim Guanabara e comprou seu Gurgel em 2008. "Um dia estava passeando pelo bairro e vi um Gurgel Supermini, ano 1993, branco, em uma garagem parado há anos. Achei o estilo do carro muito legal e fui procurar sobre a história da marca. Quando descobri que era nacional e conheci a história de seu criador, o Sr. João Agusto do Amaral Gurgel, fiquei fascinado e falei 'preciso de um carro desse'. Fui atrás do dono deste carro que tinha visto e, depois de meses, acabei convencendo a dona a me vender. A partir daí, coloquei para funcionar e participei de vários encontros, inclusive do clube do Gurgel de Campinas. Hoje ele está guardado, não anda, pois eu mesmo venho reformando aos poucos", contou o administrador.

MARCA GURGEL

A Gurgel Motores foi fundada por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, que sonhava em ver automóveis 100% nacionais. No início, a marca produzia apenas karts e mini carros para crianças e logo evoluiu, lançando seu primeiro carro no mercado brasileiro, o buggy-utilitário Ipanema, em 1969.

O mercado brasileiro respondeu positivamente aos carros da marca, fazendo sucesso principalmente em fazendas e competindo com o Jeep, na época. O momento histórico era favorável às empresas nacionais, durante o período da Ditadura Militar, com restrição da importação de veículos automotores. A Gurgel abandonou o buggy em chassi Volkswagen e começou a produzir os seus próprios utilitários, como o motor Enertron, baseado no boxer VW, porém arrefecido a água. Eram fabricados 10 carros por dia. À época, o modelo X-12 foi o produto principal da empresa. Cerca de 25% da produção da Gurgel era exportada para quase todos os países da América Latina e até mesmo para a Arábia Saudita, entre outros países.

A Gurgel Motores fechou as portas por falência em 1994. A empresa perdeu concorrência no mercado com a abertura para a importação no país. Eduardo lamenta a falência da marca. "Ao usá-lo, vi que era um carro diferente. É muito resistente e desde então comecei a saber da fabricações desta marca e fiquei surpreso com a história", contou.

"Sou tão fascinado pela história que guardo o carro até hoje e todo mundo em casa já sabe que tocar no assunto de vender ele é proibido, é um carro de coleção", disse Tiago.

"Gosto muito da história da Gurgel, acho incrível ser uma marca brasileira que esteve há tanto tempo no mercado e fez história com seus modelos, que estão ai até hoje", explicou Rogério.

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