A venda e distribuição de carne moída em frigoríficos, açougues e supermercados passaram por mudanças a partir de novembro e devem afetar o setor e, consequentemente, o consumidor final. As novas regras do Ministério da Agricultura, com o objetivo de assegurar maior qualidade ao produto, incluem o embalamento imediato após moagem e quantidade máxima de um quilo por pacote.
As medidas passam a valer a partir de 1° de novembro, mas frigoríficos terão um ano para se adequarem às condições impostas. Proprietário de um frigorífico de Jundiaí, Fernando Delvecchio Júnior vende carne moída para restaurantes, supermercados, açougues e o consumidor final, mas não estava sabendo das novas regras.
"Ainda não fui avisado sobre as novas medidas, mas espero me adaptar da melhor forma possível. Acredito que serão mudanças pequenas que não devem afetar tanto o trabalho. O importante é manter o controle e qualidade", diz Júnior.
Em relação às medidas de embalamento imediato e quantidade máxima por pacote, o proprietário do frigorífico afirma que pode causar reajuste de preços. "A regra que impõe peso máximo de um quilo por pacote de carne moída pode dificultar a venda para restaurantes, além de a possibilidade de subir o custo dos produtos por conta do uso de mais embalagens", explica.
Em outras regras aprovadas, o produto não poderá sair do equipamento de moagem com temperatura superior a 7°C e deve ser submetido ao resfriamento ou ao congelamento imediato; a carne moída resfriada deverá ser mantida entre 0°C e 4°C e a carne moída congelada à temperatura máxima de -12°C; a porcentagem máxima de gordura do produto deverá ser informada no painel principal, próximo à denominação de venda.
NOS AÇOUGUES
Para supermercados e açougues, a principal mudança é a informação sobre a porcentagem máxima de gordura do produto, que não deve ultrapassar 15%, e a temperatura que deve ser mantida.
Gerente de um açougue na Vila Arens, Marcelo Ferreira não trabalha com carne moída embalada nas prateleiras, diferente de açougues de supermercados. "A carne moída só é vendida após moagem imediata. Opto por não deixar à mostra nas prateleiras porque o ato de moer e vender na hora é mais higiênico e traz mais confiança aos clientes, que veem todo o processo", diz Ferreira.
No açougue, as carnes são mantidas em temperaturas de 0° a -2°C. O gerente garante que os alimentos são frescos e os tipos de corte e percentual de gordura são da escolha dos clientes. "O processo mais importante é manter as carnes na temperatura ideal. O corte e a quantidade de gordura ficam à escolha dos clientes", revela.
Cozinheira, Adriana Santos, de 40 anos, prefere comprar a carne moída embalada na hora em açougues e supermercados. "Não costumo comprar carnes já embaladas e expostas em prateleiras porque quando você vê o processo da carne sendo moída, consegue ter uma noção se o produto está fresco ou não", opina.
Em outro açougue no Centro, o gerente Alex Oliveira afirma que já está adaptado às novas normas sanitárias e as medidas devem afetar principalmente os supermercados. "Acredito que não vá mudar muita coisa para os açougues porque a maioria só trabalha com venda de carnes moídas na hora, sem deixar embaladas em prateleiras, como acontece em supermercados. Aqui, sempre trabalhamos assim. Outro fator que seguimos à risca é a questão da carne estar fresca. As novas regras são positivas e devem ajudar ainda mais no controle e fiscalização dos alimentos", conta o açougueiro.
Alex Oliveira considera as novas normas sanitárias positivas