Caridade: amar e colaborar com o próximo

João Carlos José Martinelli
| Tempo de leitura: 3 min

O Dia Internacional da Caridade é celebrado a 5 de setembro, amanhã, data do aniversário de morte de Madre Teresa de Calcutá, Prêmio Nobel da Paz e considerada um exemplo pelo amplo trabalho que fez na luta contra a pobreza. Através de sua atuação missionária, deixou-nos um magnífico exemplo de desprendimento e um indelével rastro de bondade. Doando-se inteiramente a um labor permanente de auxílio a seus semelhantes, incentivou-nos à consciência de luta para se fazer justiça social e de se tentar alcançar uma convivência fraterna entre os povos.

Trata-se de uma data de extrema importância por nos inspirar ao resgate de princípios como solidariedade e fraternidade para reduzirmos as diferenças entre as pessoas, eliminarmos a violência e buscarmos uma convivência harmoniosa em comunidade.

O descompromisso com terceiros e a indiferença com a situação destes revela um unilateralismo extremo que impossibilita a maioria da população de conseguir alimentos, moradia, educação, saúde, trabalho com salário justo, lazer e segurança, elementos essenciais a um mínimo de dignidade.

O ato de ajudar as outras pessoas, auxiliando o próximo no progresso da humanidade, talvez seja a mais importante forma de caridade, cujo conceito se tornou mais claro com o cristianismo, por meio do mandamento que diz: "Amai-vos uns aos outros". Ou seja, esse é o princípio da caridade, amar e colaborar com o outro.

Esse auxílio na realidade é consistente, lastreado no respeito irrestrito à igualdade da pessoa humana. Deve ser amplo e absoluto, distante de qualquer egoísmo. Num país em desenvolvimento como o Brasil, a exclusão social, que hoje já é imensa, será motivo de uma mobilização cada vez maior da nossa sociedade. A caridade é um dos instrumentos essenciais para que o triste quadro se reverta.

É muito fácil jogar uma moeda a uma pobre ou um macro de pão a um faminto. E ainda mostrar para o mundo que fizemos isso, registrando em redes sociais ou na imprensa. Faz-nos sentir menos culpados pelo escândalo da miséria do próximo e faz-nos parecer melhores na convivência social. A caridade que se revela desta forma não é mais que um meio de preservar a penúria e aliviar temporariamente nossa consciência, uma maneira de cobrir com um véu os nossos defeitos e delitos. E o que é pior: fazemos isso com toda a divulgação possível para nos encobrirmos com o manto da hipocrisia.

Perto de nós, há sempre uma pessoa, uma família ou uma entidade precisando do nosso trabalho, da nossa ajuda e do nosso amor. Com desprendimento, procuremos ajudar com êxito de resultados. Posições individualistas e cômodas devem ser substituídas por ações solidárias e participativas, deixando de lado nossas indiferenças para com o próximo e para com o próximo e para com o meio em que vivemos. Independentemente da data, a caridade deve estar presente em todos os momentos de nossas vidas.

Assim, diante das atuais e gritantes desigualdades, onde prevalece a lei dos mais fortes e privilegiados, em prejuízo dos menos favorecidos, rendemos nossas homenagens a esta religiosa de origem albanesa, Madre Tereza e todos os que atuam na área social, sem aparecer e com êxitos de resultados, no intuito de despertarmo-nos para o pleno exercício da cidadania, superando as ideologias da exclusão, da separação e da dominação.

Em reverência ao Dia da Caridade, transcrevemos a poesia "A Caridade de alguém" de Cora Coralina: "Numa pedra, sentada e perdida, /Na minha vista, triste e sofrida, /Era eu ainda, pequena criança, /Muito pobre, sem amor nem esperança. //Fora enviada, a dar um recado, /Mas meu caminho, estava traçado, /Com fome, sem qualquer alento, /Sentar-me naquela pedra, único pensamento. // Alguém, por aquele caminho passou, /De cesto do almoço que transportava, /Retirou um pouco de bacalhau, e, uma batata. //Fora, a caridade de alguém, / Quando os outros me olhavam com desdém, / Quem me olhou com certo carinho, /Me deu alento, para seguir o meu caminho!..."

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas. Autor de vários livros ([email protected])

Comentários

Comentários