Mesmo completamente reformado e revitalizado, o prédio da antiga Estação Mogiana, futuro Mercado Municipal de Franca, segue fechado. A Prefeitura investiu cerca de R$ 4 milhões na obra que começou em 2022, com prazo de conclusão para o final do ano seguinte, mas que foi entregue com dois anos de atraso, no final de 2025. Desde então, o município tenta repassar boxes e quiosques à iniciativa privada. Foram quatro tentativas, todas sem sucesso.
Pelo projeto inicial, o Mercadão compreenderá 26 espaços, sendo 5 quiosques, 20 boxes e 1 bar/café, além de um centro cultural. Os quiosques têm foco em gastronomia/artesanato. Já os boxes serão prioritariamente para produtos hortifrutigranjeiros, temperos e utilidades. Enquanto o bar/café terá dois ambientes, com salão de 81 m² (onde era a Cometa), área reservada para o café com 34,5 m², além de depósito, cozinha, dois banheiros e hall.
Na semana passada, o Portal GCN/Sampi esteve no local. Apesar de sem uso, o imóvel mantém o aspecto de conservado, com pintura preservada, grades sem sinais de vandalismo e limpeza na área externa. Apesar do acúmulo natural de folhas e poeira causado pelo vento e pelo período sem utilização efetiva, não há marcas de abandono.
Na entrada voltada para a avenida, o prédio continua cercado. Já o acesso próximo à Praça Sabino Loureiro e à Biblioteca Municipal também apresenta cenário de conservação.
‘Depois que reformou, melhorou’
No dia em que o Portal GCN/Sampi esteve na Mogiana, duas servidoras municipais informaram que orientações sobre os boxes comerciais e o funcionamento do futuro mercado não são repassadas diretamente no prédio. Segundo elas, as informações estão centralizadas na Secretaria de Infraestrutura da Prefeitura.
Funcionários de empresas próximas relatam que o fluxo de pessoas aumenta apenas em dias de aulas de música promovidas no espaço.
Quem acompanha diariamente a rotina do prédio é a comerciante Neuza Almeida, que trabalha em frente à entrada principal há quase três décadas.
Segundo ela, a revitalização trouxe melhorias para a região, principalmente após a retirada de pessoas em situação de rua que ocupavam o imóvel antes da reforma. “Depois que reformou, melhorou. Tiraram aquele ‘muquifo’ que tinha ali, porque era igual a uma Cracolândia. Você tinha medo de passar aqui”, afirmou. Ela também afirma que a maior parte da população continua sem entender exatamente qual será a função do espaço. “O povo pergunta até hoje o que vai ser aqui”, relatou.

Mercado Municipal ainda não saiu do papel
O imóvel histórico passa por um longo processo de revitalização desde 2022, quando a Prefeitura anunciou a transformação da antiga estação ferroviária em um novo polo comercial, cultural e gastronômico.
O Mercado Municipal “Ademir Sebastião Pedro Souza” possui boxes comerciais, quiosques, espaço gastronômico, área cultural e manutenção da biblioteca municipal.
Tombado pelo Condephat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico), o prédio foi inaugurado em 1887 e teve papel importante no desenvolvimento da cidade durante o período ferroviário.
Nos últimos meses, a Prefeitura publicou sucessivos editais e reabriu prazos para tentar preencher os espaços comerciais do mercado. Mesmo com mudanças nas regras e flexibilização das exigências para comerciantes interessados, o espaço ainda não entrou em funcionamento.
A primeira licitação para concessão de uso dos quiosques, boxes e bares do Mercado Municipal foi realizada em 16 de outubro de 2025. Mas apenas três dos 26 espaços foram arrematados. Novo certame aconteceu dia 12 de dezembro de 2025. O processo foi suspenso em janeiro de 2026 e remarcado para 4 de fevereiro. Sem sucesso. A última tentativa foi em 10 de março. Também sem interessados.
Desde, então, o governo municipal faz silêncio sobre o futuro do Mercado Municipal. Não há também nenhuma indicação do que a Secretária de Inovação e Desenvolvimento da Prefeitura de Franca, Lucimara de Oliveira Correia do Prado, pretende fazer com o que parece ter se convertido num ‘elefante branco’. O prédio está pronto, o projeto desenvolvido para uso não despertou interesse de ninguém e não há qualquer pista sobre o que será feito com o imóvel histórico.
Procurada pela reportagem ao longo da última semana, a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Franca não respondeu os pedidos de informação até a publicação desta matéria.
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