MANIFESTAÇÃO

'Violência não resolve': enfermeiros protestam em Franca

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Pedro Dartibale/GCN
Manifestantes protestando contra a violência no Hospital Municipal de Franca
Manifestantes protestando contra a violência no Hospital Municipal de Franca

Cerca de 50 pessoas se reuniram na manhã deste sábado, 16, em frente ao Hospital Municipal Dr. Álvaro Azzuz, em Franca, para protestar contra a violência sofrida por profissionais de enfermagem em serviço. A manifestação, que começou por volta das 10h, foi iniciada na unidade de saúde com a distribuição de panfletos e conversas com a população e deverá percorrer o calçadão do centro, o semáforo da Major Nicácio (próximo à Padaria Estrela), o Terminal de Ônibus, além do próprio Álvaro Azzuz ao longo do dia. O ato contou com a participação do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e do Sindicato dos Servidores Públicos de Franca.

O episódio ocorre dias após o vereador Leandro o Patriota (PL) ser acusado por profissionais da mesma unidade de provocar tumulto, desrespeitar funcionários e tentar acessar uma área restrita do pronto-socorro.

Participação do Coren-SP

A vice-presidente do Coren-SP, Ana Paula Guarnieri, esteve presente e explicou os motivos da mobilização. Para ela, a violência no ambiente de trabalho compromete diretamente a capacidade do profissional de prestar assistência à população. "Toda vez que sou violentada de diversas formas - seja física, emocionalmente ou qualquer tipo de violência - não é possível cuidar do outro de forma adequada. Quando você agride um profissional de enfermagem, você não está só o agredindo, mas está agredindo todas as pessoas que dependem do trabalho deste profissional', afirmou Ana Paula Guarnieri, vice-presidente do Coren-SP.

O impacto sobre o atendimento

Ana Paula destacou que o profissional agredido tende a trabalhar em condições piores, afetando diretamente quem busca atendimento. "Um profissional violentado vai, com certeza, trabalhar de forma mais inadequada. Quando você chegar para ser atendido, ele não vai estar tão disponível, porque vai estar com medo. E muitas vezes a agressão física tira esse profissional de cena, e o que já falta fica pior", afirmou.

A dirigente do Coren-SP também ampliou o conceito de violência, indo além das agressões físicas. Para ela, qualquer ação que impeça ou obstrua o trabalho dos profissionais de saúde configura uma forma de violência. "Quando você impede o trabalho, quando você acha que pode, na força da raiva, melhorar algo, isso não vai resolver. Isso vai apenas impedir o sucesso do cuidado", disse.

Dado alarmante

Samuel Gomide, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Franca, apresentou um número que, segundo ele, evidencia a gravidade do problema. De acordo com Gomide, 80% dos trabalhadores de saúde estão sendo agredidos por outros trabalhadores - dado que ele classificou como "muito agressivo".

"Isso está prejudicando não só o servidor público, que está se adoecendo e trabalhando adoentado, mas também a população. Como esse servidor vai conseguir prestar um serviço digno? O problema da questão da saúde não está no trabalhador, está na gestão pública, e é da gestão pública que tem que ser cobrado um serviço de qualidade', afirmou Samuel Gomide, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Franca.

Samuel reforçou a posição do sindicato de que trabalhador não deve ser colocado contra trabalhador: "Onde tem luta, o sindicato está. A mensagem para a população é que violência não resolve."

O estopim

Na tarde do sábado, 25 de abril, o vereador Leandro o Patriota (PL) chegou ao pronto-socorro municipal para visitar uma paciente internada. Segundo profissionais da unidade, ele foi orientado a aguardar autorização da coordenação antes de entrar, o que seria um procedimento padrão. A situação escalonou rapidamente.

A técnica em enfermagem Jaqueline Juvêncio relatou que o parlamentar reagiu de forma hostil à solicitação. "Ele pediu para eu calar a boca e fazer meu serviço", afirmou. Segundo ela, o comportamento do vereador de visitar pacientes hospitalizados já seria recorrente: "Ele costuma conversar com pacientes, oferecendo ajuda para dor e prometendo vaga na Santa Casa."

Já o vereador negou todas as acusações. Em entrevista ao portal GCN/Sampi, classificou os relatos como "mentira" e afirmou ter testemunhas que comprovam sua versão. Ele disse que foi ao pronto-socorro atendendo ao chamado de uma munícipe, cuja familiar aguardava vaga há mais de cinco dias. "Eu sempre faço esse trabalho. Hoje não sei por que houve esse problema. Eu não gritei com ninguém e não mandei ninguém calar a boca. Isso é mentira", afirmou.

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