INVESTIGAÇÕES

Polícia e Conselho de Ética cerram o cerco sobre Patriota

Por Pedro Baccelli | Editor do Portal GCN/Sampi
| Tempo de leitura: 2 min
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Momento da discussão entre o vereador e as funcionárias do pronto-socorro em Franca
Momento da discussão entre o vereador e as funcionárias do pronto-socorro em Franca

A Polícia Civil solicitou à Câmara Municipal de Franca esclarecimentos sobre o comportamento do vereador Leandro Patriota (PL) durante visita ao Pronto-Socorro Municipal “Dr. Álvaro Azzuz”, em 25 de abril. Patriota é acusado de tentar invadir áreas restritas, onde estão internados pacientes em condições delicadas de saúde, de xingar e tentar intimidar enfermeiras e profissionais na unidade.

O caso também é investigado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que prorrogou por 30 dias o prazo para conclusão da investigação contra o parlamentar, que acumula cinco denúncias na Casa. Patriota nega as acusações.

O ofício da Polícia, assinado pela delegada Christina Bueno de Oliveira em 30 de abril, pede que a presidência da Câmara informe quais normas regem a atividade fiscalizatória dos vereadores e se Patriota excedeu esses limites. A resposta deve ser enviada em até 15 dias, sob pena de responsabilidade.

Segundo a coordenação da unidade, o episódio de 25 de abril comprometeu o atendimento por cerca de três horas. Profissionais de saúde relataram que o comportamento do vereador não é isolado. O padrão se repetiria também em outras unidades de saúde do município.

Câmara terá que se posicionar

O presidente da Câmara, Fransérgio Garcia (PL), disse ter tomado conhecimento do ofício durante a leitura em plenário. Afirmou que vai consultar o Conselho de Ética para embasar a resposta à Polícia Civil dentro do prazo.

A prorrogação da investigação no Conselho foi necessária para garantir o prazo de defesa do acusado, segundo o presidente do colegiado, Gilson Pelizaro (PT). O caso foi aberto em 7 de abril. Três novas denúncias chegaram após o incidente de 25 de abril, todas ligadas ao episódio no pronto-socorro, elevando para cinco o total de representações contra o vereador.

Diante do acúmulo, o Conselho incorporou os novos casos à investigação em curso. O prazo, que venceria em 7 de maio, foi estendido para comportar a defesa do vereador.

A tese que não se sustenta

Procurado pela reportagem, Patriota invocou o artigo 31 da Constituição Federal como base legal para suas ações. O dispositivo prevê que a fiscalização do município cabe ao Poder Legislativo, mas trata exclusivamente de contas públicas — receitas, despesas e orçamento. Não autoriza, em nenhum trecho, o acesso a áreas restritas de unidades de saúde.

O vereador afirmou agir sempre a pedido de pacientes ou familiares. “A partir do momento em que um munícipe solicita a nossa presença em uma unidade de saúde e a gente não vai, a gente está prevaricando em nosso mandato. Prevaricando na presidência da Comissão de Saúde”, disse. Reiterou que continuará seu trabalho: “O meu papel é atender à demanda que vem para a gente.”

Patriota usou a palavra “prevaricação” para descrever a omissão de um vereador que não atende pedido de munícipe. Mas prevaricação, no Código Penal, é outra coisa: é o servidor público que deixa de agir, ou age de forma indevida, por interesse próprio. São situações distintas. A palavra foi usada no lugar errado.

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Comentários

6 Comentários

  • ira 07/05/2026
    vejo dessa maneira, e meu ponto de vista, as pessoas, ficam pressionando ele, quando tem um parente nas UPAS, E QUEREM URGENCIA,enfins, ele, e procurado, e tenta fazer do seu modo,os contactos,,so, que ele nao ve, que os funcionarios,sao incapazes, de resolver urgencia,s nao compete a eles,entao, ele tem que se colocar no lugar do funcionario, que apenas cumpore seu dever de trabalho,nao pode tumultuar,
  • Roberto 06/05/2026
    Lamentável toda ano eleitoral temos que assistir esse show de imagens para ilustrar as redes sociais desses senhores. O lugar de atuação deles é fiscalizando verbas e suas destinações no âmbito legislativo e não invadindo escolas, unidades saúdes ao estilo Robin Hood. Para cada instituição existem conselhos e órgãos de classe responsáveis pela fiscalização da atuação dos profissionais e sabem como fazer essa fiscalização a luz do condigo de conduta profissional a legislação vigente, ou um vereador sabe mais que o COREM, CRM etc.? Senhor vereador faça o exercício do seu mandato na câmara dos vereadores legislando através de leis e ações efetivas dando suporte para as equipes municipais realizarem seu trabalho. Patrulha do consumidor é pro Celso Russomano
  • Valeska 06/05/2026
    Se forem comprovadas todas as acusações que pesam sobre esse sujeito,ele precisa ser cassado mas uma parcela grande da população que suponho sejam tremendos idiotas precisam escolher melhor nossos representantes,para depois não reclamar,vereadores as pessoas de bom senso estão de olho
  • Darsio 06/05/2026
    Mas, o que esperar de um boçal bolsonarista? Achar que ele saba ler e interpretar a Constituição? Que saiba o significado de um vocabulário mais culto? Imagens e relatos sobram para comprovar os crimes praticados por esse sujeito, mas não vamos acreditar que algo sério seja decidido pela Câmara, onde o corporativismo já está assando uma suculenta pizza.
  • Valdenio 05/05/2026
    Meu Deus do céu, nós queremos que ele continue fazendo seu trabalho. Afinal são mais de 11 mil reais que embolsa todos os meses. Mas o culpado não é ele, é quem deu seu voto a ele.
  • alexandre cesar lima diniz 05/05/2026
    Vai ser difícil esse puxainho da assembleia do Rio punir o delinquente, até o presidente da Casa é um infrator reiterado e mentiroso, se o presidente é assim que moral vai ter para punir esse delinquente.