Mesmo sendo, na prática, a única cidade da região com salas de cinema, Franca enfrenta um cenário de baixa adesão do público - e também de reclamações constantes dos moradores. Dados divulgados nesta semana pela Fundação Seade mostram que apenas 22% da população da região foi ao cinema em 2025, um dos menores índices do Estado.
Segundo a Fundação, o número fica bem abaixo da média paulista, que é de 35%, e distante do período pré-pandemia, quando chegava a 50%. Na prática, mesmo concentrando as salas que atendem cidades vizinhas, Franca não consegue atrair a maior parte da população. Entre os principais motivos apontados, estão o custo e a programação.
Hoje, nas salas de cinema do Franca Shopping, o valor do ingresso inteiro chega a cerca de R$ 34,72, enquanto a meia-entrada fica em torno de R$ 17,36. Há ainda opções promocionais, como pacotes e dias específicos, com ingressos a partir de R$ 16,80, mas que exigem cadastro ou condições específicas.
A publicitária Isabella Spirlandeli é uma dessas pessoas que reclamam da falta da opções no cinema francano. Para ela, a infraestrutura, com pouca opções de filmes, afasta o público.
"O cinema de Franca ainda é bastante limitado. A infraestrutura deixa a desejar, com poucas salas disponíveis e uma variedade restrita de filmes em cartaz. Muitos títulos que estreiam em circuito nacional sequer chegam à cidade."
Além disso, a oferta de horários também é um ponto negativo, especialmente no período da noite, que costuma ser o mais acessível para quem trabalha durante o dia.
Interior tem menos acesso - e menos público
Os dados da pesquisa mostram que o acesso à cultura é desigual no Estado. Enquanto a capital paulista lidera, com 46% da população indo ao cinema, regiões do interior apresentam índices bem menores.
Na região de Franca, os 22% colocam o município entre os menores públicos do estado, à frente apenas de regiões como Barretos (21%) e Registro (11%).
Cultura ainda não alcança maioria
Mesmo com programação cultural diversificada, com eventos promovidos por Prefeituras, Sesc e Sesi, a participação da população de Franca e região ainda é limitada.
Os shows e espetáculos são a atividade mais comum, com adesão de 47% dos francanos e vizinhos, mas ainda assim menos da metade da população participa. Já os museus aparecem com visitas de apenas 32% da população no último ano.
Já as bibliotecas registraram frequência de apenas 21% dos francanos.
Perfil do público
A pesquisa também mostra que o hábito de consumir cultura varia conforme o perfil da população. Entre jovens de 18 a 29 anos, 63% foram ao cinema. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, o índice cai para 25%.
A renda e a escolaridade também influenciam: pessoas com maior renda (53%) e maior nível de estudo (50%) frequentam mais as salas de cinema.
Os dados reforçam um desafio: mesmo com estrutura disponível em cidades como Franca, o acesso à cultura ainda não chega à maior parte da população.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.