A artesã autônoma Mikaely Trajano Medeiros, de 34 anos, moradora do bairro Ana Dorothéa, em Franca, enfrenta uma nova e delicada etapa no tratamento contra o câncer de mama. Após descobrir a doença em dezembro de 2024, ela agora precisa com urgência do medicamento Trastuzumabe Deruxtecano, de alto custo - cerca de R$ 80 mil por dose - para evitar a progressão do quadro.
Segundo relato da paciente, o diagnóstico ocorreu no dia 4 de dezembro de 2024, após uma consulta de rotina com a ginecologista, que identificou um nódulo na mama direita. Exames complementares e biópsia confirmaram o câncer.
Mikaely foi encaminhada ao Hospital do Câncer, onde iniciou acompanhamento com a mastologista Maria Virgínia Thomazini de Figueiredo, em 12 de dezembro, e com o oncologista Rogério Volpe, no dia seguinte.
O tratamento começou rapidamente. Em 17 de dezembro, ela iniciou as sessões de quimioterapia, sendo quatro ciclos de quimioterapia “vermelha” e 12 de “branca”. Inicialmente, a previsão era a retirada apenas da mama direita, mas, 15 dias antes da cirurgia, exames identificaram também a presença de câncer na mama esquerda. Diante do novo diagnóstico, foi realizada mastectomia bilateral.
Após a cirurgia, Mikaely passou por 19 sessões de radioterapia. Posteriormente, o oncologista indicou mais seis ciclos de quimioterapia e a introdução de um medicamento, com o objetivo de reduzir o risco de metástase. Mas, o quadro clínico se agravou.
Cerca de cinco meses após a retirada das mamas, Mikaely começou a apresentar fortes dores de cabeça, visão turva e episódios de visão dupla. Exames de ressonância magnética identificaram quatro pequenas lesões no cérebro, caracterizando metástase cerebral.
Inicialmente, o tratamento seria feito com a medicação Abemaciclibe de 150mg. Mikaely entrou na justiça para retirar o medicamento gratuitamente, já que ele também é de custo alto, cerca de R$ 14 mil. Entretanto, antes mesmo de conseguir retirar o medicamento, seu caso agravou ainda mais.
Diante da progressão da doença, o tratamento foi alterado para o Trastuzumabe Deruxtecano, medicamento aprovado pela Anvisa para essa indicação e que, conforme laudo médico, não possui substituto terapêutico disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o relatório médico, a não utilização do medicamento pode resultar em piora significativa do estado geral da paciente, agravamento dos sintomas e aumento do risco de morbimortalidade. O documento aponta ainda que a ausência do tratamento pode reduzir a sobrevida livre de progressão da doença e a sobrevida global, além de elevar o risco de morte.
Mikaely também deverá realizar mais 10 sessões de radioterapia direcionadas ao crânio, paralelamente ao uso do novo medicamento.
A família mantém campanha de arrecadação para custear ao menos a primeira dose enquanto aguarda decisão judicial. As doações podem ser feitas via Pix pela chave CPF 09038971486, em nome de Mikaely Trajano Medeiros, na Caixa Econômica Federal.
A paciente já ingressou com uma nova ação judicial para obter o fornecimento gratuito do medicamento, mas, segundo a família, o tempo de espera pode comprometer o tratamento.
O Portal GCN/Sampi procurou a Secretaria de Estado da Saúde e, em nota, o Departamento Regional de Saúde informou que não consta nenhuma demanda em nome da paciente e que não houve notificação judicial para aquisição do medicamento Trastuzamabe Deruxtecan, até o momento. "O medicamento citado não faz parte do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf). É possível solicitar a dispensação do item por meio de processo administrativo", completou.
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