No caderno “Ilustrada”, da Folha de S. Paulo, edição de 31/03/19, a propósito da morte de Allan Kardec, ocorrida em Paris, naquele dia do ano de 1869, substancioso ensaio de Flávio Ricardo Vassoler alude ao pensamento do romancista russo Dostoiévski referentemente ao Espiritismo.
Anota que, a partir de 1860, o autor de Os irmãos Karamázov interessou-se pela Doutrina Espírita, tendo participado de reuniões mediúnicas, aceitando-lhes os fenômenos, recusando, porém, aceitar a filosofia espírita.
Observa-se que tais impressões restritivas continuam em nossos dias. Muita gente vê espíritos, ouve espíritos, mantém contato com os desencarnados, mas, imediatista, tenta no Espiritismo apenas resolver suas dores e aflições, dispensando-lhe os princípios que o confirmam e explicam.
A Doutrina dos Espíritos, ao contrário de condenar tal conduta, admite-a, porque religião, no seu caso, é o resultado moral do quanto descortina em ciência e filosofia, no contexto das leis universais (a verdade única e eterna), o que exige mudanças profundas na visão de vida.
A dificuldade do escritor russo em admitir a realidade espiritual é demonstrada no personagem Aliósha, um dos Karamázov, que não consegue explicar por que até crianças sofrem. Não logrando entender, não faz por associar o sofrimento aos preceitos morais e corretivos da reencarnação, ignorando a implacável lei de causa e efeito.
Colhe-se o que se semeou. Se se fez o mal, ou dilapidou-se o patrimônio que a Vida confiou, saúde, dinheiro, inteligência, é bom que se advirta da sentença do Mestre Jesus: “a cada um segundo as suas obras”.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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