A ininclemência contra a natureza é cega e burra. Enquanto Barack Obama ofereceu aos Estados Unidos, como Nação poderosa e egoísta, em termos de tutela da vida atual e futura, foi o Plano de Energia Limpa. O projeto procurava limitar a emissão de dióxido de carbono em cada Estado americano e estimular empresas a usar gás natural e outras energias renováveis, para diminuir o ritmo do aquecimento global.
Obama aderiu de pronto ao Acordo de Paris em 2015 e era um líder respeitado por todos. Em 2016, a Suprema Corte impediu a entrada em vigor da nova regulamentação, atendendo a uma coalizão de Estados produtores de carvão.
Agora, Donald Trump, que anunciou a saída dos EUA do Acordo de Paris, patrocina reforma nos padrões de poluição para as usinas de carvão, o que protela a redução de uso desse combustível fóssil pior do que os demais. O eufemismo de chamar o novo Plano de Energia Limpa Acessível, entrega a cada Estado a discricionariedade para reduzir as emissões de dióxido de carbono das usinas acionadas a carvão.
Com isso ele atende ao imediatismo, porém sepulta a intenção de reduzir as emissões dos gases causadores do efeito estufa em 32% até 2030, o que já era pífio, em se considerando o poderio econômico dos ianques. Agora não há metas. E quando estas forem atingidas, então serão dobradas.... será que é isso?
Análises técnicas que acompanham a proposta indicam que ela aumentará as emissões de carbono, o que acarreta cerca de 1.400 mortes prematuras por ano, até 2030. Para compensar, Trump também quer produzir carros mais potentes, ou seja, que gastem mais combustível fóssil. Isso representa mais 500 mil barris diários de petróleo consumidos e seus gases soltos na atmosfera.
Não faz mal que o povo morra. É seleção natural. Morrem apenas os mais fracos: crianças, idosos, pessoas com problemas respiratórios e cardio-vasculares. O que vale mesmo é fazer a indústria de carvão prosperar e a de petróleo também. Afinal, o que são 1.400 vidas por ano por mais doze anos? São apenas 16.800 seres humanos. Pouco diante do lucro da indústria do combustível fóssil.
José Renato Nalini
Reitor da Uniregistral, conferencista docente e autor de “Ética Ambiental”
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