Descer


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Num programa de rádio, um ouvinte reclamava da situação atual da humanidade, culminando por propor, de jeito sério: “Parem o mundo que eu quero descer!”

Referindo-se à expressão metafórica, um amigo que também a teria ouvido, atribuiu-lhe o sentido de “morrer”, como solução para a insatisfação com a vida. Coube-nos, então, observar, primeiro, que, com a morte do corpo, nós - o espírito - não nos afastamos imediatamente do âmbito da casa planetária em que moramos, visto que continuamos nós mesmos, carregando as mesmas qualidades morais. Segundo, que também o espaço que envolve o planeta rege-se pelas emanações psíquicas da sua população, corporal e espiritual, cuja psicosfera constitui-se da maneira como ela pensa.

Vê-se que a proposta, conquanto figurada, mostra-se absurda, visto que a situação de cada um, no rés do chão ou acima dele, é determinada pelo nível de moralidade que detém.

Outro sentido menos digno da expressão daquele ouvinte interativo é o da omissão quanto à obrigação de todos partilharmos esforços para a elevação moral da humanidade de que somos parte, e jamais nutrirmos pretensão de abandonar, de “lavar as mãos”, em relação à irmandade. O mundo é o que somos, é o que dele fazemos. Somos vítimas de nós mesmos, quando, conscientemente, produzimos violência, confusão, miséria material, moral, espiritual. Quem poderia alegar desprovido da noção de Bem e Mal?

Para sermos felizes, não é preciso tornarmo-nos santos! Jesus apenas preconizou observância à lei de justiça: “Os justos herdarão o paraíso terrestre”, restando conclusivo que ninguém precisa “descer”.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
 

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