Certo conto, muito interessante, a respeito da nossa passagem pelo plano terreno, diz que um turista americano foi a Jerusalém e lá manteve contato com um famoso rabino. Ao visitar a casa do religioso, espantou-se ao constatar que ali não havia móveis. Não se conteve e, vendo que os espaços da casa só eram ocupados por livros, indagou: Só vejo livros! Onde estão os seus móveis? O rabino respondeu com a mesma pergunta: Onde estão os seus? O americano prontamente retrucou: eu estou apenas de passagem! Ao que o rabino, sabiamente, acrescentou: Eu também!
Eis, aí, um grande ensinamento. Quase todos nos esquecemos de que estamos na Terra de passagem. Descuidados dessa realidade, vamos acumulando coisas. Bens materiais que não nos servirão, absolutamente, quando nos apresentarmos diante da nossa consciência plena. Vale dizer, estamos trocando o principal pelo acessório.
Se atentássemos para a transitoriedade da nossa existência, seríamos mais atenciosos, comedidos, cordatos, educados e fraternos, atribuindo maior valor à nossa convivência, já que estamos matriculados na mesma escola da vida? Acreditando-nos corpos imortais, iludimo-nos com coisas, gerando problemas.
Se desmedido interesse por coisas nos impõe tratamento até desumano aos semelhantes, veremo-nos, depois, surpresos com o fato de ser o túmulo um filtro implacável a nos permitir que levemos tão somente as qualidades morais, confortadoras, se forem boas, mas, dolorosas, se ruins. Lembra-nos a seita dos monges cujo hábito era o de acordar muito cedo e escalar um dos internos para bater às portas de todos os quartos, dizendo: “Lembrai-vos do dia da vossa morte!”
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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