Jesus e a família


| Tempo de leitura: 1 min
Se literalmente consideradas, as frases de Jesus “quem é minha mãe, quem são meus irmãos”, “quem amar pai e mãe mais do que a mim não é digno de mim” e “deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos”, suscitam dúvidas quanto ao apreço que Ele teria pela família.  
 
Desvelada como convém, ver-se-á, porém, que a energia luminosa de tais sentenças transcende a letra, levando o analista à advertência de Paulo, o Apóstolo da Gentilidade, na sábia equação filosófica: “A letra mata, o espírito vivifica”. 
 
Que se considerem o contexto em que o Mestre as pronunciou, os hábitos do povo da época, o que disse, quando disse, onde disse, para quem disse. Os recursos vocabulários das línguas utilizadas eram pobres. 
 
No hebraico e no aramaico, uma mesma palavra tinha significados diferentes. Demais, muitas cópias e traduções, desde então, por convicção intelectual ou por interesses escusos, sofreram tanto enxertos quanto supressões de palavras e frases.  
 
Os textos de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, com a sabedoria que caracterizava o autor, aduzem hipóteses segundo as quais ou Jesus não pronunciou tais locuções na forma como as conhecemos, ou as pronunciou com significados só alcançáveis com acuidade espiritual. 
 
“Amar a Ele mais do que a pai e mãe” é evidente que não se referia a Ele como pessoa e sim como doutrina moral, como a dizer que família verdadeira há de transcender a consanguinidade, para elevar-se à irmandade universal e à Paternidade única. E “mortos” o eram para a grandeza do espírito, os arrebatados pelo orgulho, pela vaidade, pelo egoísmo, as chagas humanas.
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários