Segundo o caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo (25/06/18), a cada três dias, uma mulher vai à Justiça para entregar um filho à adoção. A possibilidade é pouco divulgada, mas prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. Reprise legal, em nova configuração, da “Roda dos Enjeitados”, expediente histórico de características cristãs, porém, de triste memória. Na atual realidade dos órfãos de pais vivos, um simples cálculo que considerasse cada mês de 30 dias resultaria que 10 crianças são, mensalmente, entregues a lares estranhos.
Que se considere a medida de inequívoca humanidade, além de meio de banir, embora parcialmente, a nefanda prática do aborto, todavia, carrega consigo o sério inconveniente de subtrair da criança o abrigo materno, pressuposto de segurança e equilíbrio psíquico do indivíduo. Somam-se a isso os pesados ônus dos cofres públicos no cuidado com os adotandos.
Aceita a adoção, supondo-se conjugação de juridicidade e amor, resta um vácuo a ser preenchido: a carência de orientação para que, por meios naturais e moralmente aceitos, aliados ao sexo responsável, evite-se a gravidez, quando pais se veem impossibilitados de cuidar dos próprios filhos.
Demais, que se inclua planejamento familiar. Não aquele que se configure impositivo, por ação das autoridades, mas programação que resulte da conscientização dos casais quanto à sua obrigação natural de fazer de seus filhos pessoas de bem, recebendo informação e, sobretudo, moralização, como espíritos em evolução, num conjunto onde consanguinidade seja entendida como oficina de reconciliação e amor.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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