Aos 87 anos, ainda exibindo invejável voz e um vigor notável, a apreciada cantora Elza Soares, em entrevista ao caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo (18/05/18), falou do seu recém lançado CD, Deus é mulher, tratou de política e até de filosofia. Um dos seus arroubos filosóficos é que, segundo a sua visão, “Deus é mulher e mãe”, associando a referência ao propósito principal do seu novo disco: realçar o valor da parcela feminina da Humanidade. De certo afinada com a lei Maria da Penha, deplora todo tipo de violência que submete as suas irmãs em Deus, ao tempo em que expressa, legitimamente, o desejo de que tenha voz a companheira do homem.
Todavia, assim como Pepeu Gomes já cantava “Deus é menino e menina”, Elza, ao atribuir condição antropomórfica ao Criador, isto é, dar-lhe forma humana, num trabalho de considerado valor artístico, que, certamente, ganhará espaço na apreciação de quantos a admiram, contraria salutar empenho da gente de nossos dias, qual o de, em plena transição planetária, elevar-nos a compreensão, de que tanto precisamos, para alinharmo-nos à realidade divina.
Luminares espirituais proclamam: “Deus é a Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas.” Não é homem, nem mulher, mas “espírito” — enunciou o Mestre celeste. Quanto ao ensino religioso nas escolas, defendido por Elza, entendemos que, se, ao invés, fosse ensinada a moral do Cristo, sem qualquer vinculação religiosa, o esforço moralizador dos mestres enquadrar-se-ia melhor na sábia e harmônica laicidade da instituição escolar. Jesus preconizou: “Um só rebanho para um só Pastor?”.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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