A ideia de inferno eterno é contrária à Justiça Divina. Fácil entender que o Pai de Supremo Amor, por isso, justo e bom, há de ser melhor que um pai humano que, por sua vez, não condena seu filho senão a castigo condicional à sua conduta. Cessados os motivos, extinta a punição. A fase experiencial mais grosseira do espírito é tão curta, se comparada à eternidade da vida em evolução, que não resta lugar para a eternidade das penas. Demais, se condenado fosse a sofrer para sempre, seria injustiçado a partir mesmo da ausência da finalidade educativa da própria punição.
“Inferno” e “paraíso” são “infelicidade” e “felicidade”, isto é, um estado de alma, que dura tanto quanto a causa de que se origina, segundo opera a consciência, onde está inscrita a Lei de Deus. É, então, que aflição ou paz são sempre relativos ao que fazemos ou deixamos de fazer.
Alguém poderá argumentar que os relatos do espírito André Luiz, no seu livro Nosso lar, pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, dão a ideia de lugares de sofrimento intenso, onde se punem espíritos culpados. São referências verídicas, como razoáveis são os de Dante Allighiere, na sua famosa obra A divina comédia, entretanto, instrutores espirituais nos ensinam que a autopunição tem fim, por mais grave tenha sido o erro cometido, esvaindo-se a partir do arrependimento, que dói como expiação e alivia-se com a reparação ante os credores.
E, se não for impossível encontrá-los? Poder-se-ia perguntar. Que nos lembremos, então, da recomendação cristã: “faça o bem sem olhar a quem e sem esperar nada em troca”, e paradisíaco faremos o nosso estado de alma.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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