Reportando-se ao caso de um familiar que já nasceu sofrendo incurável disfunção orgânica, perguntou-nos estimada apreciadora desta coluna porque sofrem as crianças, se nenhum mal fizeram para merecê-lo.
É em casos tais, cara leitora, que o conhecimento da realidade espiritual pode acudir aflitos e sofredores.
Imagine um recém nascido que apresente determinado defeito físico, gerando nos pais dúvidas quanto às circunstâncias causais. Mais tarde, porém, lendo o capítulo V de O Evangelho segundo o Espiritismo, especialmente na lição “Bem Aventurados os Aflitos”, surpreendem-se com a explicação do objeto de suas preocupações: as aflições humanas podem ter origens temporais diversas, isto é, originarem-se de causas da vida atual e de causas de vidas anteriores.
Se, na presente existência, nada encontramos que nos explique os sofrimentos, é preciso que saibamos que suas causas estão em vidas passadas. O espírito, esta individualidade de duração infinita, nos primeiros tempos de suas experiências evolutivas, tem, nas suplicadas reencarnações corretivas, a bênção da reiterada oportunidade de redimir-se dos seus erros. No exercício do livre-arbítrio, pode fazê-lo pelo amor que, como disse Pedro, cobre milhões dos pecados, mas, se não o faz, perdoando ofensas e praticando a caridade, como a entende Jesus, mais cedo ou mais tarde, as implacáveis leis da vida alavancam-lhe a evolução, pela força do sofrimento, que se lhe apresenta como remédio amargo, porém, amigo e eficaz, a conduzi-lo à felicidade.
Se as causas residem na atual existência física, como, por exemplo, consubstanciadas na preguiça, no ócio, de que resulte sofrida carência financeira e daí necessidades insatisfeitas, ou em excessos alimentares que desencadeiem enfermidades dolorosas, o remédio, tanto menos amargo, é o esforço do homem na mudança da maneira como se deve conduzir na vida.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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