O joio e o trigo


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Sem dúvida, nenhum evento esportivo tem tanto apelo popular como a Copa do Mundo. Nem mesmo a Olimpíada que congrega várias modalidades esportivas, com a participação de atletas de todo o planeta, desperta interesse semelhante ao do campeonato mundial de futebol, especialmente no brasileiro.
 
Em época de Copa do Mundo, o nosso país literalmente para. Na feliz expressão de Nelson Rodrigues, é “a pátria de chuteiras”. Os jogadores da nossa seleção vão do céu ao inferno em poucos segundos. De “besta a genial” dentro de uma mesma partida de futebol.
 
A população da maioria dos países do Mundo sente-se honrada e feliz em apenas participar da Copa do Mundo, sem qualquer compromisso com o resultado. Porém, para nós brasileiros, só um é admissível: o de ser campeão. Quantas vezes se ouve dizer que o segundo colocado é o primeiro dos últimos. No Brasil, o segundo lugar, a medalha de prata tão almejada e comemorada por atletas de outras modalidades esportivas, no caso do futebol, é sinônimo de fracasso.
 
Barbosa, o goleiro da Copa de 50, perdida pelo Brasil para o Uruguai em solo brasileiro, tido como culpado pela derrota, talvez tenha sido o único brasileiro, metaforicamente falando, condenado à pena perpétua. Morreu sem o perdão da nação. O interessante é que, se bem observado o segundo gol do Uruguai marcado por Ghiggia, chega-se à conclusão de que não houve falha de Barbosa no lance capital.
 
Evidente que estamos todos torcendo para o heptacampeonato da seleção canarinho. Mas é importante que toda a nação, em caso de vitória, não venha a esquecer dos graves problemas sociais, econômicos e de segurança pública enfrentados pelo país.
 
A vitória do esquadrão de ouro em 1970, serviu para encobrir grandes arbitrariedades praticadas por um governo ditatorial que, naquela época, atentava contra a Democracia e o Estado de Direito. Assim, que o êxito possível seja comemorado apenas no ambiente desportivo. Saibamos todos separar o joio do trigo.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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