O amor incondicional e a caridade desinteressada, são condutas e práticas do ser humano que, sem dúvida, deixam o Criador feliz com a sua criatura. Não é tarefa fácil “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Falar é bastante fácil, o difícil é tornar a recomendação teórica em prática rotineira.
Infelizmente o ser humano, com exceções obviamente, ainda é muito egoísta e egocêntrico. Pensamos mais em nós mesmos, na nossa família e no máximo nos amigos mais chegados, mas muito pouco nos outros. Nos sensibilizamos algumas vezes com o sofrimento das criaturas desassistidas, pessoas que sequer conhecemos, por fatos dolorosos e catastróficos que chegam ao nosso conhecimento pelos meios de comunicação de massa. Mas a sensação de tristeza é bastante fugaz, passageira e muitas vezes meramente retórica.
Por outro lado, o exercício da caridade desinteressada, aquela preconizada por Jesus de “que a mão esquerda não saiba o bem que a direita fizer”, é conduta ainda pouco comum nos dias que correm. Os Fariseus, ao tempo de Jesus, gostavam de fazer generosas ofertas no templo, mas o faziam com grande ostentação, de maneira que todos pudessem ver a extensão da doação e admirá-los por isso.
Ainda encontramos com muita frequência conduta semelhante à dos Fariseus. Pessoas abastadas econômica e financeiramente gostam de fazer generosos donativos a algumas instituições de caridade de grande visibilidade midiática, especialmente quando as luzes dos holofotes estão ligadas. No entanto, se o ato de liberalidade for em secreto, eles quase sempre se mostram omissos e dissimulados, como se o que mais importasse fosse a ostentação e não o ato caridoso em si mesmo.
Evidente que para a instituição filantrópica beneficiada, a doação, obviamente, será de grande valia. Isso ninguém poderá negar. Mas convenhamos que a ajuda desinteressada, sem almejar aplausos públicos, agrada bem mais o Criador.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.
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