O desencanto


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Acompanho as atividades do Partido dos Trabalhadores desde sua fundação. Ainda acadêmico na Faculdade de Direito de Franca, tomei conhecimento dos ideais maiores do partido e, prontamente, me vi obrigado a concordar com quase todos eles, embora nunca tenha me filiado.
 
As propostas eram apaixonantes. Opção pelos descamisados, distribuição de renda, inclusão social, dar voz aos até então excluídos, lutar por reforma agrícola que também incluísse reforma agrária sobre terras improdutivas, combate à corrupção, dentre outras. 
 
Esses propósitos eram, sim, tentadoras, e seduziram muitos, inclusive e especialmente estudantes de Direito que, normalmente, têm um viés de cunho social. Porém, infelizmente, a partir das vitórias obtidas nas urnas, foi se observando um paulatino distanciamento do PT do seu programa básico inicial e, então, pode-se constatar que, infelizmente, como preconizam muitos, o poder às vezes corrompe.
 
O PT, para chegar mais rapidamente ao poder, fez alianças com setores reacionários e anacrônicos da nação. Como consequência, acabou entregando a alma e a essência do partido, razões maiores de sua própria existência, a vários oportunistas.
 
Se não bastassem essas indesejáveis alianças, alguns expoentes do partido estão mergulhados em um mar de graves acusações por prática de atos de corrupção. A gravidade é tamanha que alguns políticos corruptos do passado, bastante conhecidos, tiveram os delitos que praticaram, comparativamente, tidos pela opinião pública como de menor potencial ofensivo.
 
Assim, há desencanto e desalento da parte dos antigos simpatizantes daquelas causas. Uns, mais radicais, chegam a parodiar o naturalista Auguste de Saint-Hilaire, em seu dito ‘ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil’, afirmando: ‘ou o Brasil acaba com o PT ou o PT acaba com o Brasil’. Se o partido quiser continuar sobrevivendo, deverá rever os seus rumos.
 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.

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