Faltam 15 dias para as eleições. A campanha entra na reta final e os candidatos correm contra o tempo para tentar conquistar a preferência dos eleitores indecisos. Na acirrada disputa por votos, o apoio do prefeito deveria ser exaltado como um aliado de peso, um cabo eleitoral de luxo capaz de definir os rumos de uma votação. Deveria, se a cidade não fosse Franca e se o prefeito não fosse Alexandre Ferreira (PSDB). Aqui, os tucanos em campanha fazem questão de não colar suas imagens com a do prefeito e o escondem de suas propagandas.
O deputado Roberto Engler, que tenta a reeleição para estadual, e o vereador Adérmis Marini, concorrente a federal, confeccionaram santinhos, placas e adesivos em que aparecem sozinhos ou ao lado de Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José Serra. Nas propagandas, não há espaço para Alexandre.
O distanciamento do prefeito da campanha poderia ser algo natural, não fosse ele o presidente do diretório municipal do PSDB e, em tese, maior interessado em fazer com que o partido eleja seus candidatos e aumente sua representatividade. Se têm um estadual por seis mandatos consecutivos, nunca os tucanos conseguiram fazer um federal por Franca.
O sumiço do prefeito revela o quanto o PSDB que ele dirige está dividido. Cada corrente interna caminha para uma direção. E ninguém faz questão de negar. “Acho que, por razões históricas, eu sou a última pessoa que pode exigir algum apoio por parte do Alexandre. Até mesmo porque eu não o apoiei em sua eleição, por motivos que todo mundo sabe”, disse Roberto Engler, durante sabatina do GCN anteontem. Em 2012, o deputado afirmou ao Comércio que a candidatura de Alexandre a prefeito teria dificuldades para decolar e o comparou a Fernando Haddad (PT), conduzido à Prefeitura de São Paulo por Lula. Engler, que cogitava a possibilidade de disputar as eleições, havia se irritado pelo fato de Sidnei Rocha ter lançado seus candidatos (Alexandre, Valéria Marson e Sebastião Ananias) para a convenção interna do PSDB sem consultá-lo.
Líder do prefeito na Câmara até dezembro de 2013, quando renunciou ao cargo afirmando ter sido traído por Alexandre, Adérmis admitiu publicamente pela primeira vez, anteontem, que candidatou-se sem o apoio de Alexandre. “Saí candidato mesmo com apoio do governador Geraldo Alckmin. Foi o governador quem cacifou durante uma reunião em Ribeirão Preto. O Alexandre não teve participação efetiva nisto. Ele não participou de nenhum ato de minha campanha específica.”
Adérmis acredita que a ausência do prefeito não teria relação com a renúncia que ele fez da liderança. “Para mim, eventuais desavenças que podem ter ocorrido estão superadas. Não sei da parte dele.”
Alexandre Ferreira não retornou aos pedidos de entrevista para explicar porque está fora da campanha do partido que preside.
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