Foi pregando mais ética na política que Pastor Otávio Pinheiro (PTB), candidato a deputado estadual, abriu sua sabatina nessa terça-feira, no GCN. Com acusações contra os políticos em atividade, parecia ter se esquecido de que ele mesmo faz parte da classe há seis anos, desde que se elegeu vereador. “Boa parte dos políticos hoje são pessoas corruptas, que fraudam e enganam o povo. Eu quero dar um basta nisso.”
Apesar do discurso em defesa da ética, o candidato não conseguiu explicar suas posturas como vereador. Ao ser questionado sobre a polêmica Farra das Medalhas, em que esteve envolvido em 2013, depois de usar o dinheiro da Câmara para custear a viagem, estadia e até o diploma que recebeu em uma homenagem em São Paulo, minimizou. “Foi uma falha, um erro meu. Reconheci e devolvi o dinheiro.”
Sobre a possibilidade de usar a estrutura de seu gabinete em atividades de campanha, disse que o afastamento do cargo não é uma exigência legal. Quando questionado sobre se seria ética a permanência na Câmara, limitou-se a dizer que ético é trabalhar.
Um dos momentos mais tensos da sabatina foi quando Pastor Otávio falou sobre os problemas da saúde na cidade. Primeiro, fez questão de destacar que foi dele a autoria do requerimento que convocou a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, para prestar esclarecimento. Mas ao ser questionado sobre seu voto contrário à abertura de uma investigação contra o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) por conta das irregularidades apontadas pela Câmara, como pagamento de horas extras indevidas a médicos, o pastor preferiu lavar as mãos.
“Vamos deixar o Ministério Público investigar. Acho que quem tem que apurar é o Ministério Público”, se esquecendo dos elogios que havia feito ao trabalho desempenhado por seus colegas vereadores na Comissão Especial de Inquérito que investigou problemas no atendimento de saúde na cidade.
Pastor Otávio também reafirmou que fazer oposição é coisa do capeta. “Tem muito político que vota contra o povo, contra projetos de interesse da população só por causa do partido, só porque é oposição. Eu não faço isso.” E afirmou ter muitos capetas na Câmara de Franca.
Ao ser questionado sobre sua principal bandeira, disse que será a luta pela família e contra as drogas. “Se eu for eleito, vou batalhar pela criação de uma Secretaria Estadual de Prevenção às Drogas, para ajudar melhor a população a ter acesso às informações sobre os males das drogas.” Também prometeu aumentar o número de vagas para internação de viciados interessados em se tratar contra a dependência.
Como já era esperado, o candidato disse ser absolutamente contra a legalização de qualquer tipo de droga e apoiou a política de internação compulsória adotada pelo Estado de São Paulo.
Em outro tema polêmico, a criminalização da homofobia, foi direto. “Para mim, qualquer tipo de agressão de um ser humano contra outro é crime. Sou a favor.” Mas deixou claro que, quando o assunto é casamento gay, seu posicionamento é outro. “Continuo acreditando que família é como está na Bíblia: um homem, uma mulher e seus filhos.”
O candidato também defendeu o aumento no número de vereadores de Franca dos atuais 15 para 21 e admitiu que não colocou o projeto em votação por conta do período eleitoral. “Conversei com os vereadores e eles disseram que, se fosse à votação antes das eleições, todos seriam contra. Por isso, resolvi esperar a eleição passar para que o projeto possa ser aprovado.”
Pastor Otávio encerrou sua sabatina pedindo votos e prometendo ao eleitor trabalhar a favor de Franca.
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