A auxiliar de limpeza Gilvani Silva de Brito tem 42 anos, é moradora do Jardim Pulicano e estudou até a 6ª série do ensino fundamental. Gilvani faz parte do maior grupo de eleitores de Franca que, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), é formado por mulheres, com idades entre 35 e 59 anos e que não concluíram o ensino fundamental.
“A área da saúde é muito ruim. Eu, que não tenho plano de saúde, já enfrentei problemas. É muito difícil para marcar consulta”, disse a auxiliar de limpeza Gilvani que, assim como a maioria das mulheres que fazem parte desse maior grupo do eleitorado francano, vê a saúde pública como o setor mais crítico em Franca.
A coladeira de peças Aparecida de Fátima Pereira de Souza, 53, faz coro a Gilvani por uma saúde melhor. “Temos problemas na saúde, na segurança, na educação e também nos ônibus. Mas espero que os políticos trabalhem principalmente na área da saúde, que coloquem mais médicos para atender a gente. Porque esperamos seis meses para fazer uma consulta e, depois, mais de dois meses para fazer um exame, é um absurdo”, disse Aparecida, que mora no Jardim Paulistano e estudou até a 6ª série.
Para a doméstica Ana Paula Antônio, 35, moradora do Aeroporto I, a falta de médicos e o mau atendimento nas unidades de saúde são os principais motivadores de problemas no setor. “Tem acontecido muitas mortes por falta de atendimento ou atendimento ruim em Franca. Meu sogro mesmo, na semana passada (retrasada), sofreu um derrame e teve que ir lá para o pronto-socorro. Chegando lá, ele não foi bem atendido porque os poucos médicos que tinha ficaram brincando no celular”, reclamou Ana Paula, que cursou até a 7ª série do ensino fundamental.
A reportagem do Comércio foi aos quatro cantos de Franca e ouviu 49 mulheres que fazem parte do perfil majoritário dos eleitores francanos. Elas responderam sobre o que esperam dos políticos que pretendem representar a cidade a partir do ano que vem e responderam a uma enquete informal sobre temas polêmicos, como descriminalização de drogas, redução da maioridade penal e cotas raciais, por exemplo (veja quadro nesta página).
As mulheres
Dos 228.996 eleitores francanos, 119.549 são do sexo feminino, número que representa mais de 52% da população apta a votar. Dentre as mulheres eleitoras da cidade, 54.128 - ou mais de 23% do eleitorado total - estão na faixa dos 35 a 59 anos de idade. Ainda entre as mulheres, 46.583 eleitoras francanas não completaram o ensino fundamental, declararam saber apenas ler e escrever ou são analfabetas. Tais eleitoras, com baixa escolaridade, representam mais de 20% do eleitorado de Franca.
Outros públicos
Os dados do TSE mostram que Franca possui 1.287 eleitores com idade entre 16 e 17 anos. Este número somado aos 17.545 votantes com 70 anos ou mais indica que 8,22% do eleitorado francano não têm obrigação de votar.
Franca tem ainda 82.714 eleitores com idade entre 18 e 34 anos, o que representa 36,12% dos votantes. Já os eleitores com idade entre 60 e 69 anos somam 23.845 ou 10,41% do eleitorado.
Os números do TSE mostram também que 7,59% dos eleitores de Franca completaram o ensino fundamental. Já a porcentagem dos votantes que concluíram o ensino médio é de 20,42%. Os eleitores que concluíram o ensino superior são apenas 5,6%.
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