‘Quem ganhar vai comer o pão que o diabo amassou’


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O candidato tucano ao Senado, José Serra, discursa em evento do PSDB em Franca, na quinta-feira
O candidato tucano ao Senado, José Serra, discursa em evento do PSDB em Franca, na quinta-feira
O ex-governador José Serra, candidato do PSDB ao Senado Federal, deu uma mostra ontem em Franca do tom que os tucanos vão adotar na sequência da campanha eleitoral para presidente da República após Aécio Neves cair para terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto na corrida pelo Palácio do Planalto. A estratégia será acentuar as críticas ao governo federal comandado pelo PT e tentar explorar a falta de experiência de Marina Silva (PSB).
 
Serra tomou café no Centro e visitou os jornais da cidade. Em seguida, participou de um ato político no comitê do deputado estadual Roberto Engler. O candidato discursou para uma plateia de cerca de 250 tucanos da região, disse ter certeza que Geraldo Alckmin será reeleito e defendeu a candidatura de Aécio Neves para a presidência. “O Brasil está numa situação difícil. Nós temos o time mais preparado para governar o Brasil. Quem ganhar a eleição vai comer o pão que o diabo amassou.”
 
Ao completar o comentário, fez uma crítica velada à candidata do PSB. Ele não citou o nome de Marina Silva, mas para bom entendedor bastou. “O problema é que, se alguém for eleito, (este alguém) não está preparado nem para morder o pão do diabo. Já não digo nem comer, nem engolir. Também temos que pensar nisso.”
 
Pouco mais cedo, entrevistado pelo Comércio, disse que, se eleito, priorizará a defesa da indústria no Senado. “Vou atacar problemas que afetam o custo Brasil, como infraestrutura, custo financeiro, burocracia e tributação. É um conjunto. Também tem que ter política cambial e de juros decente.” Afirmou que o governo federal não tem competência para tomar as medidas necessárias. “Eles são incompetentes. Sou até benevolente: não é por mal, é por incompetência, desconhecimento. Eles são tão incompetentes para governar...”
 
Serra defendeu a implantação de medidas para dificultar a exportação do couro wet blue para a China. “O preço duplicou desde fevereiro. Isso é uma loucura. Diminui a competitividade da indústria que estava se recuperando. É um absurdo. Se tivesse um governo funcionando, colocaria restrições. Sempre impliquei com a exportação do couro. O que eu faria? Tributar o couro. Não é proibir, mas posso tributar para equiparar.”
 
O candidato também falou da concorrência predatória promovida pela China sobre as indústrias de calçados do Brasil. Disse que o país asiático montou seu parque calçadista do zero, levando em torno de 800 gaúchos. “Hoje, eles dominam o mercado mundial, um lugar que poderia ser do Brasil.” Colocou a culpa na conta do PT. “Os governos Lula e Dilma se especializaram em criar empregos, muitos empregos. Onde? Na China, na Coreia, no Sudeste Asiático e no Paraguai. No Brasil, não.” 
 
Como o aeroporto de Franca não realiza voos noturnos, José Serra seguiu de carro até Ribeirão Preto, onde pegaria um avião para Campinas a fim de participar de outro evento político. Antes de sair, conclamou os tucanos a trabalharem até o dia da eleição. “Tenho dito que todo candidato que não é um pouco paranoico perde eleição. Sempre tem que achar que é difícil. Só tive uma eleição que realmente para mim foi moleza: a eleição para governador em 2006.”
 
 

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