‘Bala de borracha e gás de pimenta não resolvem nada’


| Tempo de leitura: 5 min
Gilberto Marangoni, candidato do PSol ao governo de São Paulo, pretende desmilitarizar polícia e promete rever concessões feitas pelo Estado
Gilberto Marangoni, candidato do PSol ao governo de São Paulo, pretende desmilitarizar polícia e promete rever concessões feitas pelo Estado
O representante do PSol na disputa pelo governo do Estado foi sabatinado pelo GCN ontem. Gilberto Maringoni disse que o principal tema da sua proposta de governo será discutir o que chamou de “processo selvagem de privatizações” ocorrido nos 20 anos em que o PSDB está no poder. O candidato posicionou-se contra a redução da maioridade penal, culpou a situação das penitenciárias pelo surgimento do PCC e defendeu a desmilitarização da Polícia Militar. “O PSol vem para mudar de verdade.”
 
Maringoni tem 56 anos e, antes de se filiar ao PSol, integrou os quadros do PT. Tentou ser vereador em São Paulo, em 2012, e conseguiu 3,8 mil votos. Ele acredita que desta vez conseguirá conquistar o governo do Estado. 
 
Em uma realidade financeira diferente dos concorrentes, que contam com estruturas milionárias para disputar as eleições, o candidato não gastará mais do que R$ 1 milhão. Ele conta com o engajamento dos militantes para vencer as eleições. “Na Frente de Esquerda, formada pelo PSol e PSTU, temos 300 candidatos a deputado. O companheiros estão fazendo campanha, às vezes, nas condições mais difíceis, mas estão na sociedade disputando voto. Os poucos recursos que temos se multiplicam.”
 
Caso eleito, pretende rever as privatizações feitas pelo Estado, principalmente, reverter a abertura de capital da Sabesp, investir na qualidade do ensino e mudar a maneira de encarar a segurança pública. “A gente tem que pensar na segurança não como uma questão de polícia, a segurança é uma questão muito maior. Estar seguro não significa estar rodeado de policiais, de penitenciárias e armamento. Segurança envolve você melhorar a vida das pessoas, dos jovens, para que elas não entrem na criminalidade.”
 
O candidato propõe uma ação integrada com educação, renda, emprego, crescimento econômico e desenvolvimento. “Só polícia não resolve. Precisamos ter policiamento preventivo, polícia científica e valorizar o policial com salário e plano de carreira, porque é a profissão mais perigosa que existe.” Maringoni defende a desmilitarização da PM. “A polícia trabalha com a cidadania, não pode ver a população como inimiga. Todo mundo sabe da estupidez de uma parcela da polícia, não é toda a polícia... É preciso ter método e eficácia, não é combatendo e assustando a população. Porque chega um ponto que você não sabe de quem você tem mais medo, da policia ou do bandido.”
 
 
Experiência política
Gilberto Maringoni acredita que sua falta de experiência na vida política não irá prejudicá-lo na corrida pela vaga de governador de São Paulo. “Experiência a gente adquire trabalhando e reunindo as melhores cabeças de cada área para ajudar a gente a fazer.”
 
PT
“Eu acho que o PT deu uma grande contribuição à democracia brasileira. Mas, a partir do início do governo Lula, o partido mudou o discurso e hoje governa como um Sarney e companhia. Vim para o PSol para ser uma alternativa”, disse o candidato Gilberto Maringoni.
 
Financiamento
Maringoni defendeu o financiamento público de campanha. “O financiamento por bancos e empreiteiras, como é feito hoje, é muito lesivo aos cofres públicos, porque essas empresas não fazem isso como doação, e sim como investimento e irão cobrar a conta do candidato depois. Então, sou a favor das campanhas terem financiamento público, para ter mais equidade entre os candidatos.”
 
Progressão continuada
“A progressão continuada não é o problema. É como tirar o sofá da sala para evitar o adultério. Só vamos solucionar o problema da educação investindo em capital humano para que esse professor dê menos aula e possa se dedicar mais à escola. Também temos que equipar as escolas”, disse Maringoni.
 
Universidades 
Para Maringoni um dos principais problemas das universidades estaduais é que o orçamento das instituições não cresceu na mesma proporção do número de vagas ofertadas. “Nos seus 20 anos de governo, já dá para dizer o que o PSDB quer com as universidades estaduais.” O candidato do PSol declarou ainda ser a favor das cotas, tanto raciais, quanto sociais. “As cotas ajudam a compensar as diferenças. Mas a igualdade só vai acontecer com a melhoria do ensino fundamental e médio.”
 
Transporte público
Para Maringoni, os problemas do transporte público nas cidades paulistas são causados pela concessão do serviço. “Nós precisamos que o transporte tenha parcialmente o controle do Estado para que não tenha o controle total da iniciativa privada, que só visa o lucro.”
 
Água
Para solucionar o problema do abastecimento de água no Estado de São Paulo, Maringoni defendeu a aplicação de uma medida de curto prazo e outra de médio prazo. “A crise da água no Estado é seríssima. Nos primeiros 100 dias de governo, temos que buscar uma solução imediata. Mas a médio prazo é preciso que o Estado retome o controle da Sabesp, aplicando capital na empresa ou comprando ações”, afirmou Marangoni.
 
Privatizações
“O problema da água é o mais grave e urgente atualmente. Mas tivemos problemas em todas as privatizações. A energia já deu e vai voltar a dar problemas. O preço dos pedágios é um absurdo e o motorista não vê o retorno do dinheiro em investimentos nas estradas. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), está auditando e revendo contratos, e é o que devemos fazer.”
 
Black blocs
Maringoni declarou ser contra a ação dos black blocs e rebateu a acusação de que o PSol é ligado ao movimento mascarado. “Defendo qualquer tipo de manifestação legítima e pacífica. Hoje estamos debatendo, pois somos produtos das Diretas Já. Mas meu partido é ligado aos black blocs de maneira errônea. Sou contra a ação deles, pois o país só piora com as quebradeiras”, disse o candidato.
 
PCC
“O aumento da repressão não está resultando na diminuição da criminalidade. A chefia do PCC (Primeiro Comando da Capital) já está toda presa. A sigla também tem um segundo significado, que é ‘Péssimas Condições Carcerárias’. Então, temos que melhorar essas condições (sociais) não só por uma questão humanitária, mas porque essa é uma forma de diminuir a criminalidade”, disse Maringoni. 
 
Saúde
Saúde pública também foi tema durante a sabatina com o candidato do PSol a governador de São Paulo. “Precisamos aumentar o financiamento dos hospitais públicos e não privatizar com uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que busca o lucro”, disse o candidato do PSol, que abordou ainda a questão dos hospitais filantrópicos. “A gestão das Santas Casas é uma caixa preta. Quem recebe dinheiro público tem que ter suas contas claras e abertas para a população.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários