Candidatos ignoram Voto Nosso e fazem campanha para forasteiros


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Delegada Graciela (PP) usa adesivo com o nome de Carlão de Igarapava (PDT) durante caminhada no Centro, nesse sábado
Delegada Graciela (PP) usa adesivo com o nome de Carlão de Igarapava (PDT) durante caminhada no Centro, nesse sábado
Dezesseis candidatos disputam as eleições para deputado em Franca. Todos participaram da rodada de perguntas e respostas promovida pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) e apresentaram suas propostas. A iniciativa faz parte do conjunto de ações da campanha Voto Nosso, que defende a votação em políticos com base eleitoral na cidade. Mas, ao mesmo tempo em que se aproveitam da vitrine proporcionada pela entidade, três dos concorrentes fazem campanha abertamente nas ruas para os chamados paraquedistas.
 
Márcio do Flórida (PT), que concorre a estadual, é o rei da dobradinha. Ele tem santinhos com quase uma dezena de companheiros de outras regiões que tentam uma vaga na Câmara Federal. O âncora é Vanderlei Siraque, cuja base eleitoral está no município de Santo André. 
 
Outro exemplo emblemático de desprezo ao Voto Nosso é o da Delegada Graciela, presidente do diretório municipal do PP e que concorre a federal. Mesmo com o seu partido tendo candidato a estadual por Franca - Laercinho - ela preferiu dobrar com o sindicalista Carlos Vicente. Carlão, como é conhecido, faz questão de destacar nas propagandas que é “de Igarapava” e concorre pelo PDT. Na fachada do comitê de Graciela e em todas as propagandas de rua, ela aparece ao lado de Carlão. Não há referências a Laercinho, seu colega de partido e cabo eleitoral.
 
Pastor Otávio Pinheiro (PTB) se aliou a Luiz Carlos Motta, nascido em Ribeirão Preto e cuja base eleitoral é São José do Rio Preto. O candidato declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 3 milhões. Entre os bens listados, consta um imóvel no Paradise Palms Resort Phase, na Flórida, Estados Unidos.
 
A Acif pretende investir R$ 60 mil na campanha Voto Nosso para reforçar a importância do voto caseiro. Gerente-executivo da entidade, Marcelo Carraro lamentou a postura dos candidatos, mas disse que não é possível impedir ninguém de fazer dobradinhas e de pedir votos em Franca para representantes de outras regiões. 
 
“Nos dois encontros que promovemos com os candidatos, todos se comprometeram com o Voto Nosso. Acredito que o eleitor vai saber separar e entender quem, de fato, está preocupado com a cidade. Continuaremos com a campanha e vamos reforçar a importância de elegermos representantes de Franca.”
 
Outro lado
Em nota enviada à redação, Graciela Ambrósio negou que esteja ignorando o Voto Nosso. “Eu não estou dobrando com um candidato de fora, eu dobro com um candidato de Igarapava, município da nossa região. Todos os candidatos de Franca pedem voto na Alta Mogiana, sendo assim, a região pode pedir voto em Franca. Esse é o voto Distrital, que a maioria dos candidatos está defendendo.”
 
Pastor Otávio disse ter sido orientado pelo PTB a fazer dobrada com alguém do próprio partido. “Não vejo problema nem contradição em trabalhar o Voto Nosso, uma vez que há interesses de eleger candidato de Franca e ter parceiros de fora. A maioria dos candidatos de Franca busca votos em outros municípios. Os votos daqui não são suficientes.”
 
Márcio do Flórida afirmou que o PT é contra o modelo adotado pelo Voto Nosso. “Na democracia, não há porteira eleitoral. O correto seria incentivar o voto consciente. Não é porque é de Franca que vai me representar bem. Muitos deputados de fora ajudam mais a cidade com emendas do que o nosso federal.”

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