Número de jovens eleitores de Franca cai quase pela metade


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Maria Júlia Granero, 17, vai votar este ano: ‘Estou otimista em relação ao meu primeiro voto’
Maria Júlia Granero, 17, vai votar este ano: ‘Estou otimista em relação ao meu primeiro voto’
O número de jovens com idades entre 16 e 17 anos que votarão nas próximas eleições em Franca apresentou uma queda de 42,6% em relação a 2010. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, em 2010 havia um total de 2.244 eleitores nessa faixa etária, neste ano são 1287 eleitores. Em relação aos eleitores com 16 anos a diferença foi de 413 pessoas, entre os jovens com 17 anos foi verificado 544 eleitores a menos em relação às últimas eleições. Numa comparação com o total de eleitores (228.996), o eleitorado entre 16 e 17 anos corresponde a 0,56%. A média de jovens com 16 ou 17 no estado de São Paulo supera a francana, em que os jovens eleitores correspondem a 0,7% do eleitorado do Estado.
 
Na cidade de Franca, a maior parte do eleitorado se concentra na faixa etária de 45 a 59 anos, num total de 58.908 eleitores. Em âmbito nacional, a pesquisa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também revelou queda entre 2010 e 2014. O total de pessoas com idade entre 16 e 17 anos que votam passou de 2,4 milhões para 1,6 milhão no país. No site do TSE, em relação às Eleições 2014, as estatísticas são precedidas da observação “idade do eleitor na data do primeiro turno”, o que não era considerado em 2010. Essa mudança na forma de contabilizar os eleitores pode ser um dos motivos da queda. 
 
Marcelo Queiroz Ferreira, diretor da 46ª zona eleitoral de Franca, destaca que o número de jovens eleitores é realmente pequeno e reflete a pouca participação dos jovens mesmo um ano após as manifestações de junho. Para ele, os protestos não incentivaram um maior envolvimento político. “Às vezes aparece alguns agora para fazer o título, sem saber que o prazo já terminou”, diz.
 
Para o professor de sociologia e história, Maicon Vinícius da Silva Carrijo, essa tendência de baixa participação nas eleições é, inclusive, reflexo das manifestações do ano passado. “Nas ruas, onde apareceram críticas dos mais variados tons, os partidos políticos foram rechaçados, independente da sua história, bandeira e propostas. Portanto, a escolha do jovem de não participar das eleições deve ser vista como uma consequência lógica, longe de qualquer surpresa, afinal, no nosso sistema, o voto passa necessariamente pelos partidos”, disse. O professor disse ainda que vê uma base comum nos debates sobre política que desenvolve com jovens dessa faixa etária. “Existe uma falta de confiabilidade nos políticos e nas instituições do sistema representativo. Para os jovens de 16 e 17 anos, o voto e os demais elementos que compõem o cenário democrático possuem cada vez menos poder de fogo para atacar os problemas da própria política e, por conseguinte, de outras áreas da sociedade”, disse. Segundo Maicon, dentre os fatores que justificam essa descrença na política estão os escândalos de corrupção, a ineficácia dos serviços públicos e a avaliação negativa dos motivos que levam alguém a ser político, em que a impressão é de que os interesses particulares sempre estão na frente dos coletivos.
 
Esquecimento e desmotivação
Os estudantes do colegial Gabriela Pupo e Rafael Símaro,  de 16 anos, não tiraram o título e alegaram desmotivação. “O descaso das autoridades em com a saúde e a educação são os piores problemas”, resumiu Gabriela.
 
O esquecimento da data para solicitar o documento foi a explicação em alguns casos. Flávio Faria, 16, Gabriella Roland e Júlia Ferreira, 17,  disseram que perderam o prazo (7 de maio) para solicitar o título. 

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